Recordemos, uma vez mais, os inúmeros manifestos pela defesa dos centros de decisão nacional, alguns deles assinados por empresários que, passado algum tempo, venderam a estrangeiros as suas empresas e as inúmeras declarações no mesmo sentido da esquerdalhada em geral. Recordemos também que esta necessidade de vender o país aos retalhos resulta do endividamento de públicos e privados e da descapitalização da economia portuguesa, consequência de décadas a viver acima das posses.
Nos últimos meses tiveram lugar as seguintes operações:
- Novo Banco, o que sobrou do BES, vendido ao Banque Populaire Caisse d’Épargne;
- Edo, uma farmacêutica, vendida aos espanhóis da Faes Farma;
- Secil, cimenteira da Semapa, vendida à espanhola Molins;
- Participação de 40% da Luz Saúde, participada a Fidelidade (maioritariamente detida pelos chineses da Fosun), vendida à australiana Macquarie;
- PHC Business Software, empresa portuguesa de software de gestão, vendida ao grupo tecnológico francês Cegid:
- Centro de Dados na Covilhã da Altice, vendido ao fundo espanhol Asterion;
- Acordo da Galp com a espanhola Moeve do qual resultará que a Galp passará a controlar menos de 9% da capacidade de refinação na Península Ibérica.
Em si mesmas, todas estas operações são legais e constituem opções legítimas dos accionistas e também, e é este o ponto desta série de posts, constituem exemplos de um capitalismo periférico dependente e descapitalizado.
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