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16/06/2018

CASE STUDY: Os profissionais portugueses de futebol como um exemplo de excelência

Deveria ser mais fácil explicar a falta de sucesso do que explicar como Portugal é o actual campeão europeu e a 4.ª selecção no ranking mundial, quando temos contra nós o teorema de Bernoulli, ou lei dos grandes números. De facto, é elevada a probabilidade de serem muito melhores do que os nossos jogadores os alemães que são 81 milhões, ou os franceses que são 66 milhões, ou os italianos que são 60 milhões, ou os brasileiros que são 214 milhões, ou mesmo os espanhóis que são 46 milhões,  só para dar alguns exemplos entre países em que o futebol é popular e existe uma grande massa de praticantes.

E se a probabilidade de ter um jogador de topo é baixa, a probabilidade de ter dois ou mais é ainda mais baixa. Suponha-se que em média se encontra um jogador de topo (seja lá o que isso for) em cada 100 milhões de habitantes (incluindo mulheres, crianças e velhotes, para simplificar). Nesse caso, a probabilidade de ter um jogador de topo em Portugal é 0,1 e na Alemanha 0,80 e probabilidade de ter simultaneamente dois é para Portugal de 0,01 e para a Alemanha 0,64 isto é 64 vezes mais. E no caso de três é 0,001 e 0,512, respectivamente, isto é 512 vezes mais.

Então porque atingem os futebolistas profissionais portugueses o topo?

Em primeiro lugar, notemos que dos 23 jogadores da selecção actual, 7 nasceram fora de Portugal e 18 jogam em clubes estrangeiros em 9 campeonatos diferentes.

Por isso, devemos começar por reconhecer que os jogadores portugueses de futebol são os únicos profissionais que verdadeiramente trabalham num mercado internacional competitivo sujeitos a uma avaliação constante e impiedosa. Deve ser mais fácil encontrar uma agulha num palheiro do que um português de outra profissão integrado num mercado de trabalho internacional comparável ao mais modesto dos nossos jogadores no estrangeiro.

E o que é que tem o futebol de diferente do resto das actividades em Portugal? Várias coisas, entre as quais: uma regulação leve, concorrência nacional e internacional entre operadores e, sobretudo, um mercado de trabalho aberto, competitivo e internacional - deve ser a única actividade em Portugal em que as famílias, os partidos e as maçonarias não arranjam lugares na profissão do chuto para os seus filhos, camaradas e irmãos, respectivamente.

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