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09/06/2018

A classe operária das tascas era a freguesia da velha esquerda. Deu lugar ao radical chic dos bares urbanos que é a freguesia da nova esquerda

«Para a nova esquerda, o povo, agora visto como xenófobo, reaccionário e pouco instruído, é hoje o inimigo, para grande desespero de um velho esquerdista como, em França, Jean-Claude Michéa; enquanto a burguesia, cosmopolita, tolerante e qualificada, é o amigo. A nova esquerda — tal como extrema-esquerda de 1970, donde provem – não depende de sindicatos, mas do activismo das universidades, da comunicação social, e das “movidas” urbanas. Por isso, o “povo” deu lugar às “minorias”, e a política da “igualdade” à política das “diferenças”. A sociedade do futuro é agora imaginada como um aglomerado de tribos urbanas — uma grande noite do Bairro Alto, garantida pelo Estado social. O caminho já não passa pelas minas e pelas fábricas, mas pela vitimização das “minorias” e pela culpabilização do “homem branco”. Ainda fica bem lutar pelos “pobres”, claro, mas esses pobres são agora preferencialmente os imigrantes.

As velhas esquerdas obreiristas da Europa do século XX puderam contar, durante décadas, com a fidelidade eleitoral dos operários ou dos mineiros: votar social democrata ou comunista era parte da sua “consciência de classe”. É uma réplica dessa fidelidade que a nova esquerda tenta desesperadamente incutir aos frequentadores dos bares urbanos do século XXI através do frenesim das causas fracturantes e do politicamente correcto. O código de conduta dos novos progressistas é assim: podem ter chalets de 600 mil euros, não podem é chamar “princesas” às filhas.»

Excerto de «A nova esquerda entre chalets e princesas», Rui Ramos no Observador

1 comentário:

Bilder disse...

E no "fim da linha" tudo vai vai dar a uma questão essencial http://www.rooshv.com/youre-either-a-globalist-or-a-nationalist (eis porque a agenda política esquerdista se confunde nos dias actuais com boa parte da agenda do liberal-capitalismo,ambas as "ideologias" têm os mesmos donos)