A menos que se considere que o Dr. João Caupers, presidente do Tribunal Constitucional, não respeita os vegetarianos ou os adeptos do Dalai Lama, temos de concluir que os homossexuais lhe mereciam algum respeito quando em 2010 escreveu sobre o casamento gay.
O facto de ter separado «a tolerância para com as minorias» da «promoção das respectivas ideias» faz todo o sentido e não altera esse declarado respeito, como não altera ter citado dois factos (1) «os homossexuais não passam de uma inexpressiva minoria» e (2) «cuja voz é enorme e despropositadamente ampliada pelos media». Quem duvidar do primeiro facto pode consultar a sondagem Gallup de 2017 onde se constata que nos EUA, onde a comunidade gay que é mais influente do que em Portugal, os americanos adultos que se identificam como gays não passam de 4,5% da população. Quem duvida do segundo só pode ser alguém que não lê jornais nem vê televisão.
O que têm as declarações do Dr. Caupers de discriminatórias e ofensivas ou homofóbicas, como as classifica o Dr. Pedro Filipe Soares, deputado do BE, num artigo de opinião com um título que é uma espécie de ameaça implícita A homofobia não é constitucional? Será a frequência de um Mestrado em Detecção Remota que lhe permite identificar homófobos?
E se fosse homófobo? É proibido? É um delito de opinião? Que legitimidade tem o Dr. Pedro Filipe Soares, um admirador de democracias fantoches, para ameaçar: «se não se retratar, Caupers afirma a manutenção de uma visão homofóbica da sociedade»? Como se não chegasse a criatura já se ter retratado logo que foi sujeito à polícia do pensamento.