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Receando que a "vida digna" que a Sr.ª Ministra deseja esteja acima das nossas posses, recordei um velho episódio que já contei e vou contar de novo.
Numa mesa mesa redonda na RTP durante o PREC, um sindicalista da Intersindical fez umas contas de cabeça para demonstrar que o salário mínimo para um trabalhador fazer face ao que, segundo ele, seriam as necessidades básicas teria de ser não sei quantos contos. O movimento sindical iria bater-se por isso, garantiu. Se fosse hoje o sindicalista já teria adaptado o seu tosco sindicalês ao palrar actualmente dominante e vez de necessidades básicas teria dito vida digna.
Um dos participantes da mesa redonda Francisco Pereira de Moura, um católico da esquerda moderada próximo do MDP, professor do ISCEF (hoje ISEG), e na época ministro sem pasta do 1.º governo provisório, tentou pôr água naquela fervura evangélica. Em vão. As certezas inabaláveis do sindicalista resistiram incólumes às contas de cabeça de Pereira de Moura que lhe demonstrou que esse salário mínimo era superior ao rendimento médio pelo que nunca poderia ser o salário mínimo. De nada valeu ao sindicalista que continuou por longos minutos a negar a realidade.
Esclarecimento:
Tendo sido questionada em comentário a consideração de Francisco Pereira de Moura (FPM) como «católico da esquerda moderada», julguei justificado explicá-la. Aqui fica disponível na caixa de comentários a quem possa interessar.
