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26/08/2015

CASE STUDY: Colocando em perspectiva a queda abissal das bolsas chinesas

Com o seu pendor para o simplismo e o catastrofismo, os mesmos jornalistas e opinion dealers que veneram o intervencionismo dos bancos centrais a ditarem o preço do dinheiro e a entorná-lo na economia, fabricando lenta e seguramente a próxima crise, fizeram soar os alarmes com a queda das bolsas chinesas anunciando o crash galáctico.

Fonte: Bloomberg
O catastrofismo seguiu-se à aceitação com grande naturalidade da subida vertiginosa dos índices chineses nos 6 meses anteriores a Junho, subida que nunca poderia ser explicada pelos fundamentais da economia e que resultou igualmente do intervencionismo do banco central chinês. Como explicar de outro modo que as empresas chinesas cotadas passaram a valer o dobro do que valiam 6 meses antes? Como tudo o que sobe, mais tarde ou mais cedo, desce… poderá descer ainda mais porque o índice Shanghai Shenzhen CSI 300 continua acima do nível do início da injecção de anfetaminas do banco central chinês em Novembro do ano passado.

Capitalização bolsista [Fonte: Bank of America Merrill Lynch (via Market Watch)]
O outro aspecto da questão é a capacidade de propagação do crash bolsista chinês quando se sabe que a capitalização das bolsas chinesas vale menos de 30% das japonesas e menos de 5% das americanas. A razão principal do pânico se ter propagado às outras bolsas tem mais a ver com o sentimento da volatibilidade das bolhas criadas pelo intervencionismo dos bancos centrais americano, britânico e europeu do que pela importância relativa dos mercados de capitais chineses.

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