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02/08/2015

CONDIÇÃO MASCULINA: Camille Paglia sobre a fraqueza do sexo anteriormente considerado forte - «Sim, sim! É isso aí!»


Camille Paglia é uma feminista dissidente, professora na universidade de Filadélfia, conhecida pelas posições heterodoxas face ao feminismo, de que foi uma figura de proa, e pelo seu repúdio de sempre do movimento politicamente correcto. O texto seguinte é a tradução livre de um excerto da entrevista da revista online SALON a Camille Paglia (via Portugal Contemporâneo) que fica muito bem na área temática «Condição masculina» do (Im)pertinências na companhia de dezenas de outros posts.

«O que estou a dizer é que a sexualidade masculina é extremamente complexa e a formação da identidade masculina é muito hesitante e sensível e a retórica feminista não permite compreendê-la. É por isso que as mulheres têm tanta dificuldade em lidar com os homens na era feminista. Não os entendem e demonizam-nos. As mulheres pensam que os homens têm muito mais poder no sexo do que eles realmente têm. As mulheres controlam o mundo sexual de uma forma que a maioria das feministas simplesmente não entende.
A minha explicação é que a segunda onda do feminismo suprimiu a maternidade. A mulher ideal era a profissional de carreira e eu apoio isso. Para mim, a missão do feminismo é remover todas as barreiras para o avanço das mulheres nos domínios social e político dando-lhes a igualdade de oportunidades com os homens. No entanto, o que eu dizia no "Personae Sexual" é que a igualdade no local de trabalho não vai resolver os problemas entre homens e mulheres no âmbito emocional privado, onde cada homem está subordinado às mulheres, porque ele emergiu de um corpo de mulher como uma pequena coisa indefesa. As mulheres profissionais não querem hoje pensar ou lidar com isso.

O apagamento da maternidade na retórica feminista conduziu-nos à politização actual da conversa sobre sexo, que não permite que as mulheres reconheçam o seu imenso poder face aos homens. Quando a maternidade estava mais no centro da cultura, havia mães que compreendiam a fragilidade dos rapazes e a sua necessidade de atenção e confiança para superar as suas fragilidades. As mulheres tradicionais dos meios rurais - as matriarcas italianas e as mães judaicas, compreendiam a fragilidade dos homens. As mães governaram o seu próprio mundo e não levaram os homens a sério. Elas sabiam como cuidar dos homens e encorajá-los a serem fortes – enquanto o feminismo actual simplesmente não percebe o poder das mulheres face aos homens. Mas quando se fala assim com a maioria dos homens, eles concordam e dizem "Sim, sim! É isso aí!"

Actualmente, as feministas não têm simpatia nem compaixão com os homens e nem para as dificuldades que eles enfrentam na formação das suas identidades. Não falo em termos de movimento de direitos dos homens, que foi contaminado pelo politicamente correcto. A mulher profissional heterossexual, emergindo com seu brilhante diploma da Ivy League, quer comunicar com seu marido exactamente como comunica com seus amigos - como no "Sex and the City”. Essa série capturou realmente a forma animada com que as mulheres falam umas com as outras. Mas isso não é um estilo que os homens heterossexuais possam adoptar! Os gays podem fazê-lo, com certeza, mas não os homens heterossexuais! Grande novidade – as mulheres são diferentes dos homens! Quando é que o feminismo despertará para essa realidade básica? As mulheres se relacionam umas com as outras de uma forma diferente dos homens. Os homens heterossexuais não têm as mesmas competências de comunicação ou os mesmos das mulheres - os seus cérebros são diferentes!»

1 comentário:

Antonio Cristovao disse...

Deficientes ,no fim.