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07/08/2015

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (114) – O maior fabricante de estatísticas indigna-se com esta alegada actividade do governo

Há um limite para tudo na vida, até para a demagogia, a ignorância e a estupidez. Esses limites foram excedidos várias vezes na intervenção da deputada socialista Ana Catarina Mendes que acusou o governo de «fabricar estatísticas». Ainda que isso pudesse ter acontecido, os deputados socialistas que mantiveram de Conrado o prudente silêncio durante as cosméticas de toda ordem feitas durante os 6 anos do governo Sócrates (por exemplo o meio milhão que passou pela Novas Oportunidades entre os quais muitos desempregados e esqueço por piedade os anos de Guterres em que a administração pública inchou com dezenas de milhares de empregos) não têm um pingo de moral para virem agora rasgar as vestes de indignação.

Onde está a falsificação que a deputada Ana Catarina Mendes apontou?

  • Os 500 mil trabalhadores emigrados durante os 4 anos são afinal menos de 130 mil saídas líquidas, segundo os dados do INE; 
  • A população empregada a tempo completo não se reduziu, até aumentou 85 mil entre o 2.º trimestre do ano passado e o deste ano;
  • Os «desencorajados» não aumentaram - os «inativos disponíveis mas que não procuram emprego» na verdade diminuíram 12 mil; 
  • Quanto à destruição de 218 mil postos de trabalho foi na agricultura (que apesar disso aumentou a produção porque a produtividade melhorou) e na construção (que outra coisa poderia acontecer com o superavit de centenas de milhares de casinhas e o excesso de oferta rodoviária?).

Não há ninguém na Mouse Square of Economics que se envergonhe e se sinta obrigado a fazer uma correcção ao chorrilho de dislates da senhora deputada?

1 comentário:

Anónimo disse...

"rasgar as vestes de indignação". É um clássico testamentário.
O que, talvez, pouca gente sabe é que os notáveis da nomenclatura religiosa judaica usavam, em reuniões importantes, roupas com pontos fracos na confecção — zonas "mal cozidas".
Assim, podiam "rasgar as vestes de indignação" e, mais tarde, em casa, mandá-las recozer.
Com os Semitas (os árabes também o são) nada se perde... tudo se transforma...
Abraço