Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

16/08/2015

CASE STUDY: O que a Óropa deve fazer para resolver os nossos problemas


A pretexto de esclarecer que nunca lhe teria passado pelas meninges defender a saída do Euro, Nicolau Santos, o nosso pastorinho da economia dos amanhãs que cantam favorito, faz questão de deixar bem claro o seu pensamento e escreve na 5.ª coluna página do caderno de Economia do Expresso

«… com as atuais regras de funcionamento da Eurolândia países como Portugal vão inevitavelmente declinar económica e socialmente e tentarão compensar esse declínio reduzindo as funções do Estado social, cortando no investimento público e embaratecendo mais e mais os custos do trabalho através da precarização dos laços laborais

Até aqui quase concordo com ele, se der de barato que do lado português não há nada a fazer (mas há) ou que, havendo, está fora do nosso alcance (e estará enquanto for dominante o pensamento dos pastorinhos). Mas Nicolau Santos não se conforme e interroga-se

«Pode haver remédio para isto? Pode», escreve ele.

E qual será o remédio? Pergunto eu. Libertar a economia da tutela asfixiante do Estado pondo-o a tratar dos custos de contexto, fomentar a iniciativa privada, incentivar a poupança para financiar o investimento produtivo, aumentar a produtividade e assim melhorar a competitividade, manter as contas públicas e as contas externas equilibradas, etc. e esperar uma ou duas décadas?

Certo? Errado. Para Nicolau quem deve resolver os nossos problemas é a Óropa.

«Mas do lado da Europa não se vê que haja disponibilidade para aceitar as transferências intracomunitárias para fazer face a choques assimétricos, nem uma união bancária que impeça as PME nacionais de pagar o triplo de juros de uma empresa alemã.»

Tradução: mandem para cá dinheiro e cobrem-nos os juros como se o nosso risco fosse igual ao dos alemães. Ah, já quase me esquecia. Também temos de tomar decisões.

«O que está nas nossas mãos é tomar decisões, ao nível da competitividade fiscal e noutras áreas, para atrair capital estrangeiro. Mas até agora nenhum Governo ousou promover esse choque fiscal.»

Competitividade fiscal? Essencialmente reduzir o IRC e fazer o que tem feito a Irlanda que Nicolau e os outros têm criticado? Seja. E como se mantêm as contas públicas equilibradas? Aumentando a carga fiscal sobre as famílias? Reduzindo a despesa pública? E as funções do Estado social que tanto preocupam Nicolau? Ou pensará Nicolau que devemos repetir a receita de Sócrates, que ele tanto apreciou, e esses problemas deixariam de existir porque ele também aprendeu que as dívidas não são para se pagar?

2 comentários:

Anónimo disse...

Impertinências = Melhor blogue português

Antonio Cristovao disse...

Gabo-lhe a paciência de ainda dar ouvidos a tais líricos. Responda-lhe com o que disse o malvado alem-ao: agora vão fazer o contrário do que prometeram nas eleições!! razão tinha o outro, para dizer que os gregos iriam demorar uns tempos, a perceber a que reponderam no plebiscito.