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23/08/2015

DIÁRIO DE BORDO: O direito a contaminar

Para alguém que olhe sem preconceitos negativos ou positivos para os comportamentos dos humanos, é razoavelmente evidente que a fixação dos lóbis gays no casamento unissexo, finalmente legalizado em Portugal há 5 anos, tem pouco a ver com a instituição do casamento em si mesma e muito mais com a necessidade de «normalizar» o seu status social.

De facto, como aqui escrevi, para a «comunidade» gay, com décadas de casamentos em atraso, mil e seiscentos casórios em 5 anos deveria ser uma decepção, sobretudo nestes tempos em que os casais normais no sentido gaussiano já quase deixaram de se casar, convencidos por décadas de propaganda politicamente correcta que o casamento era uma instituição burguesa decadente e não significava nada, a mesma propaganda politicamente correcta que convenceu os gays que o casamento significava tudo.

Algo semelhante se passa com a adopção numa época em que os casais «normais», além de cada vez menos se casarem, têm cada vez menos filhos cada vez mais tarde, por uma série de razões conhecidas. A menos que se descobrisse uma pulsão maternal e paternal «anormal» nos gays, a fixação dos seus lóbis na legalização da adopção tem com toda a probabilidade a mesma explicação - a necessidade de «normalizar» o seu status social.

A terceira vertente da «normalização» é a dádiva de sangue. Não parece que os gays individualmente considerados tenham uma pulsão para a dádiva de sangue mais forte do que a dos heterossexuais que, como é sabido, são relutantes em se deixarem sangrar. Outra vez ainda, são os seus lóbis que fazem a despesa da «luta», frequentemente usando a chantagem sobre os gays ainda dentro do armário em posições influentes para usarem essa influência.

Contudo, neste domínio a coisa fia mais fino porque o uso de sangue contaminado com HIV tem óbvios riscos para os receptores. A exemplo do que se passa nos EU, onde a FDA continua a não autorizar a dádiva por homossexuais, também em Portugal não é autorizada. Pois bem, tudo indica que o lóbi gay está em vias de conseguir infligir uma derrota à saúde pública: «o relatório "Comportamentos de risco com impacto na segurança do sangue e na gestão de dadores", a que a Lusa teve acesso, estabelece "a cessação da suspensão definitiva dos candidatos a dadores homens que têm sexo com homens (HSH) [homossexuais e bissexuais] ", uma decisão tomada por unanimidade entre os oito elementos do grupo de trabalho». Do relatório para a lei vai um passo que o lóbi gay jornalístico já deu, uma vez que anuncia que a «dádiva de sangue por parte de homossexuais vai passar a ser permitida».

Perguntar-se-á, mas os heterossexuais não têm HIV e não doam sangue? Claro que podem ter e têm HIV e podem doar e doam sangue. A enorme diferença é que, para utilizar o caso dos EU, os homens gays e bissexuais representam aproximadamente 2% da população e 57% das pessoas com HIV diagnosticado, ou seja a probabilidade a priori de um gay estar infectado é 65 vezes maior do que um não gay. Assim, sendo o risco tão desproporcionado a dádiva de sangue por um gay deveria no mínimo estar condicionada à apresentação de um teste negativo válido.

Por miopia e falta de coragem de ir contra a corrente do pensamento politicamente correcto, as luminárias domésticas confundem o direito à união legalizada (inadequadamente denominada casamento) com os «direitos» à adopção e à dádiva de sangue, que, se fossem direitos, seriam das crianças alvo da adopção e dos receptores de sangue.

2 comentários:

Anónimo disse...

Muito bem!
Todo o folclore à volta de instituições como o casamento e a paternidade apenas tem a ver com uma legitimação externa da normalidade dos seus comportamentos: é a menoridade e o complexo de inferioridade face às suas próprias opções que os leva a procurar impor um selo de legitimação externo.
Agora o sangue...valha-nos Deus! Basta uma mísera análise de risco para ver o erro que se está a cometer...

Antonio Cristovao disse...

O normalizar é uma situação boa e que nos coloca no lado da civilização ; compreende-se que para eles(homo) seja um assunto de primeira importancia; para o conjunto da sociedade é mais dos milhentos assuntos, tão importante como dar milho aos pombos no centro da cidade e as suas consequencias nefastas. Mas recordo como há 40 anos um amigo, foi expulso do prédio, porque uma vizinha espalhou que ele recebia outros homens em casa; entristecia viver num país com esta mentalidade; felizmente, a conta de muito lirismo de certos grupos, os portugueses estão bem mais tolerantes. Calculo que os custos das fantasias de dar sangue por gente que manifestamente não preenche os requisitos mínimos, vão ser muito superiores aos benefícios.