Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

13/12/2019

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (91) – Is he hopeless? Definitely

Backward, comrades!
Mais do que uma claríssima vitória de BoJo e dos Tories (o melhor resultado desde Thatcher), estas eleições foram uma estrondosa derrota de Jeremy Corbyn (o pior resultado dos Trabalhistas desde 1935). Um Corbyn sobre o qual já aqui escrevemos que, visando enterrar o New Labour de Blair, iria enterrar o Old Labour, que defendia as minas de carvão para todos e carruagens só para mulheres, que era ambíguo em relação ao terrorismonão era credível, era apoiado por grupúsculos esquerdistasinspirava-se no socialismo bolivariano, era "nacional socialista" (esta era uma piada) e um esquerdista senil.

Derrota estrondosa, apesar de Corbyn ter prometido no seu Manifesto que o governo Trabalhista proporcionaria aos britânicos o céu na terra: Revolução Industrial Verde, salário mínimo de 10 libras por hora, Serviço Nacional de Educação, aumento do financiamento do SNS incluindo dentista e medicamentos gratuitos, banda larga grátis, etc. Um longo etc. que incluía a nacionalização de uma boa parte da economia.

Economist

Podemos confirmar que era tudo isso que escrevemos e ainda acrescentar que Corbyn é um demagogo, felizmente mal sucedido porque o eleitorado britânico foi suficientemente maduro para não lhe dar crédito. Em particular, uma parte da "working-class", um bastião tradicional dos trabalhistas, abandonou Corbyn e votou nos conservadores, como se pode ver no diagrama acima. Foi provavelmente o preço da ambiguidade de Corbyn em relação ao Brexit.

Sem comentários: