À primeira vista, parece um grande feito. À segunda vista, nem por isso. Desde logo, porque o PRR durou 5 anos e o contributo do maior programa de sempre que inundou o país com 22 mil milhões de euros (16,3 mil milhões de euros em subvenções e 5,6 mil milhões de euros de empréstimos) foi de pouco mais de 6 mil habitações por ano, o equivalente a menos de 40% da média anual de novas habitações na primeira década deste século. Depois, porque só metade das 31 mil habitações são novas, as restantes são reabilitação ou transformação de edifícios de serviços e industriais.
Se considerássemos o contributo do PRR para mitigar a carência de habitação uma notável realização em Portugal, como classificaríamos a realização de Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia (menos de metade da população portuguesa) que cresceu de 1,3 milhões para 1,8 milhões em 2025 (cerca do triplo da população da cidade de Lisboa e mais de metade da população da área metropolitana de Lisboa) que há 10 anos enfrentava uma crise habitacional ? Talvez como um milagre.
O milagre consistiu em várias medidas, nomeadamente duas: foram fundidos oito órgãos locais e a cidade, entalada entre dois portos, começou a crescer em altura. Os resultados foram mais 100 mil habitações e uma queda de 25% dos preços