Em vários dos posts anteriores tentei mostrar que as situações particulares dos países e das cidades são diferentes e meter todos no mesmo saco da "crise da habitação" não ajuda nada a perceber o problema de cada uma delas e, portanto, só dá para encontrar soluções do tipo one fits all que no final não servem para nenhuma.
Em 1970 existiam cerca de 2,7 milhões de "alojamentos familiares clássicos" para uma população residente de 8,6 milhões. Trinta e um ano depois os números eram cerca de 6 milhões e 10,3 milhões, respectivamente, e o número de alojamentos por 100 pessoas passou de 31,4 para 58,3.
O diagrama anterior mostra a evolução do mesmo indicador entre 1980 e 2022 em diversos países desenvolvidos, valores que, se em 1980 não eram muito divergentes dos portugueses, nos anos mais recentes estes últimos ultrapassam largamente os de todos os outros países e até os da Alemanha. Sem prejuízo de ser normal existirem diferenças regionais mais ou menos importantes, pelos padrões internacionais não haveria uma razão óbvia para Portugal ter uma profunda crise de habitação, como é a versão geralmente percepcionada.
Será preciso, portanto, procurar as razões particulares que contra toda a evidência podem explicar a essa percepção.
(Continua)
