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05/12/2017

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (1)

A série Deixar de dar graxa... tem sido dedicada a questionar a mitologia que sustenta a auto-imagem dos portugueses que julgam estar a humanidade inteira a olhar para eles, por contraponto à imagem que deles têm os estrangeiros, geralmente indiferentes à existência dos patrícios.

Uma das consequências decorrentes dessa patologia, como notou Ricardo Araújo Pereira, no artigo «Disseram bem de Portugal em Badajoz» na Visão (link indisponível), que aqui citei, é a procura obsessiva de portugueses bem-sucedidos na estranja, exemplificada pelos vários milhares de resultados no Google da expressão «português no topo do mundo» (45.500 resultados hoje).

Os jornalistas de causas sucumbem muito frequentemente a essa obsessão. Hoje mesmo tivemos várias sucumbências, entre as quais destaco:

MÁRIO CENTENO

Centeno junta-se a outros sete portugueses no topo da Europa (e do mundo)

PÚBLICO


Médico português entre os mais influentes do mundo
Jornal i

Posso estar enganado, mas o padrão na imprensa estrangeira é que os nacionais bem-sucedidos são, desde logo, reconhecidos no seu próprio país e por isso são identificados pelo seu nome e poucos se preocupam se essas pessoas são ou não reconhecidas no estrangeiro e muito menos a salientar esse facto.

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