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17/03/2021

O jornalismo de causas femininas queria dar um exemplo de que «o nosso cérebro é preconceituoso por sistema» e acaba a aceitar o nepotismo

 «... um pai está a levar o filho para uma entrevista de emprego numa grande empresa da bolsa. Quando chegam ao parque de estacionamento da empresa, o telemóvel do filho toca. Ele olha para o pai, que lhe diz: "Força, atende." Quem lhe está a ligar é CEO da empresa, que lhe diz: "Boa sorte, filho, vai correr bem". O filho desliga a chamada e olha para o pai, que está com ele dentro do carro. Como é que isto é possível?

As caras intrigadas das pessoas que são questionadas (que pode ver aqui) mostram como o nosso cérebro já é preconceituoso por sistema, mesmo que não queiramos que ele o seja: considero-me feminista e mesmo assim falhei estupidamente, o que muito me envergonha. Na verdade, é extremamente simples: o CEO da empresa é a mãe do rapaz.

A jornalista de causas femininas que escreveu a newsletter da Tribuna do Expresso, de onde cito o excerto acima, pretendeu dar um exemplo do preconceito de quem não concebe uma mulher como CEO de uma empresa e, sem dar por isso, não questiona o nepotismo dessa mulher que procura dar emprego ao filho na empresa que dirige, como se o nepotismo de uma mulher o tornasse eticamente aceitável.