De cada vez que o nome do homem é invocado ocorrem sobressaltos à esquerda e à direita, no governo, na oposição e em Belém. Em Belém? Sim em Belém, o que de resto não deveria espantar ninguém desde que o famigerado 3P se saiu na sua moção ao congresso de 2014 com o «catavento de opiniões erráticas» e o catavento lui-même correu a enfiar a carapuça.
O exemplo mais recente das manobras para cobrar o catavento é visível numa peça da jornalista do semanário de reverência investida em porta-voz do Dr. Marcelo, onde se descreve a mal disfarçada satisfação de S. Ex.ª com a candidatura do Eng. Moedas à câmara de Lisboa, não tanto pela candidatura em si mesma, mas pelo candidato ter pedido a sua bênção prévia e pela esperança dessa candidatura poder vir a ser o princípio de um muito desejado antídoto ao indesejável regresso de 3P.
«“Ele deu o grito do Ipiranga”, comentava-se esta semana no Palácio de Belém, onde o avanço de Carlos Moedas para a capital foi lido como um atropelo ao eventual regresso de Passos Coelho, pelo menos no curto e médio prazo», escreveu a jornalista porta-voz.
Felizmente não voto em Lisboa e não terei o dilema de escolher entre um putativo sucessor do Dr. Costa e um putativo sucessor do Dr. Rio, a quem os Espírito Santo não hesitaram em o «por a funcionar» quando estavam a ser apertados pelas investigações e que, enquanto comissário europeu, viajava frequentemente para Lisboa a passar manteiga no governo do Dr. Costa e na sua geringonça. Posso estar enganado? Posso, sim, mas o que dizer de um candidato a presidente da câmara de Lisboa portador de uma tal linguagem corporal?