Segundo o estudo «Finanças Públicas – Uma Perspetiva Intergeracional publicado pela Fundação Gulbenkian e citado pelo Jornal Económico, «o atual modelo de pensões é insustentável e a sua manutenção levaria a um desequilíbrio corrigível com um aumento de impostos na ordem dos 22% ou uma perda dos benefícios de reforma de 19%» .
É apenas mais um estudo a antecipar as consequências de uma população crescentemente envelhecida e do aumento da esperança de vida no aumento número de reformados com pensões a serem financiadas por cada vez menos activos. Na década de sessenta havia dezenas de activos por reformado, hoje há 1,5 activos por cada reformado.
Os portugueses, sobretudo os 4 milhões de portugueses que se reformarão nos próximos 20 anos, deveriam estar preocupados, mas tudo indica que não estão para se maçar com o seu futuro o que se explica pela conjugação de vários factores como a ignorância e uma cultura ancestral de dependência do Estado (segundo os estudos de Hofstede, Portugal é o país europeu mais colectivista), dependência alimentada pelos vários socialismos que disputam o eleitorado.
Vai acabar mal porque o horizonte de sustentabilidade do sistema de pensões é de várias gerações e nenhum governo está preocupado para além das próximas eleições. É aparentemente paradoxal que este tema permaneça na sombra e um tema como o das alterações climáticas, que tem um horizonte ainda mais distante, mobilize as atenções das elites e de uma parte cada vez maior da opinião publicada.
