Antes dos áctivistas começarem a trombetear por via das trombetas do jornalismo de causas que os portugueses estavam contaminados pelo rácismo, imaginava que o racismo como fenómeno social não tinha relevância em Portugal.
Concedo agora que estava enganado. Há dias uma "notícia" da Lusa (a Tass socialista) incluiu «o termo “Preta” no corpo do texto associado à deputada socialista» Romualda Fernandes. Ora como a deputada é de facto é preta, para mim tratava-se de um adjectivo supérfluo mas inofensivo.
Não foi assim que o jornalismo de causas, a comentadoria do regime e as forças vivas do situacionismo viram a coisa. Para eles tratou-se de um insulto e exigiram imediato apuramento de responsabilidades (creio que é assim que diz). Prontamente, um coro de indignados exigiu a demissão do jornalista que escreveu a peça, o editor de política da Lusa sentiu-se obrigado a demitir-se e a "notícia" vaporizou-se dos sites dos jornais que a tinha publicado.
Se todas essas almas consideraram que referir-se uma pessoa preta como "preta" é um insulto «absolutamente inqualificável» (PS ), isso só pode ser o resultado dessas almas considerarem inferior a condição de "preto", já que ninguém se indigna por chamarem "branco", ou mesmo "branquela" a uma criatura branca. E isso, sim, isso é racismo. E isso, sim, é um problema.