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08/05/2021

De como a crítica de cinema de causas faz de uma house-less por escolha uma homeless por fatalidade


Nomadland, o filme de Chloé Zhao, uma cineasta chinesa expatriada nos EUA e excomungada no seu país, conta a história de um grupo de pessoas a quem a crise de 2008 mudou as suas vidas que escolheram vaguear pelos EUA, trabalhando em empregos ocasionais e encontrando-se regularmente. Citando a síntese do IMBD centrada na personagem principal: 

«Following the economic collapse of a company town in rural Nevada, Fern (Frances McDormand) packs her van and sets off on the road exploring a life outside of conventional society as a modern-day nomad.»

No Portugal dos Pequeninos, e noutros lados, a crítica de cinema de causas - um ramo da esquerdalhada com pretensões cinéfilas - escreveu sobre o filme como se este fosse um panfleto denunciando as misérias do capitalismo americano. O propósito é desde logo denunciado pelo título da tradução portuguesa a que foi acrescentado «Sobreviver na América». Por falar em misérias, a proverty line para um americano isolado é $12,760, o equivalente em termos nominais a 3/4 do ganho médio anual de um trabalhador português.

Na verdade, o filme tem mais a ver com a opção por uma vida errante e livre de pessoas como Fern, a personagem principal protagonizada por Frances McDormand, uma actriz que é boa no seu pior e excelente no seu melhor. Isso é evidente na resposta de Fern à pergunta da pequena Makenzie «My mom says that you're homeless, is that true?»: «No, I'm not homeless. I'm just house-less. Not the same thing, right?»

1 comentário:

Bilder disse...

No Portugal socialista é que é bom. https://www.rtp.pt/noticias/mundo/sexta-as-9-centro-comercial-de-vila-nova-de-milfontes-tem-mais-de-20-empresas-de-intermediacao-laboral_v1318284 (investigação do sexta âs nove de ontem) Mais de 20 empresas de intermediação de mão de obra imigrante que foram abertas por sócios de diferentes nacionalidades num único centro comercial em Vila Nova de Milfontes. O Sexta às 9 detetou que, em apenas sete destas empresas, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras registou mais de 500 pedidos de legalização.

O centro comercial passou a ser dominado por estrangeiros há cerca de dois anos.