| Ceci n'est pas un canard |
Já confessei o meu espanto por se poder concluir que Viktor Orbán é um democrata e a Hungria sob a sua batuta era uma democracia plena, que as acções erráticas de Donald Trump escondem uma estratégia coerente e que a defesa da redução da idade da reforma pelo Dr. Ventura é uma estratégia sofisticadíssima para atrapalhar o PSD.
Acrescento a esse espanto outro, não menos intrigante. Como é possível que luminárias da comentadoria doméstica se indignem justamente com a corrupção que grassa em partidos moderados e, ao mesmo tempo, mais do que fazerem vista grossa, silenciem, limpem a folha ou mesmo exaltem a administração Trump, provavelmente a governação mais corrupta do mundo ocidental desde os Founding Fathers?
Como explicar que pessoas inteligentes e cultas conseguem imaginar que um bicho que se parece com um pato, nada como um pato, grasna como um pato, acasala com patas, não é um pato, é um mamífero que põe ovos? Do ponto de vista da psicologia evolucionista, a melhor explicação que encontrei foi a de Leor Zmigrod no seu The Ideological Brain; e, do ponto de vista da ciência política, a melhor referência que encontro é o que baptizámos neste blogue como doutrina Somoza, que pode ser resumida como «He may be a son of a bitch, but he's our son of a bitch», juízo (ou piada?) atribuído a Franklin D. Roosevelt.
Sem comentários:
Enviar um comentário