Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

27/05/2026

Crónica da passagem de um governo (51b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 51a)

Boa Nova

O Dr. Seguro já promulgou as medidas fiscais para promover a construção de habitação (redução do IVA) e do arrendamento (redução do IRS e do IRC). Não se esperem milagres porque a fiscalidade é apenas uma das variáveis da equação e algumas das outras variáveis permanecem inalteradas, como seja a absurda burocracia camarária, diligentemente promovida por resmas de apparatchiks, que envolve os licenciamentos, a que se escapa apenas com os lubrificantes habituais: luvas e cunhas de amigos e/ou do partido.

Quanto aos programas de apoio à construção de habitação, estamos conversados. Por exemplo, o Programa de Apoio ao Acesso à Habitação “1.º Direito”, lançado pelo Dr. Costa e o Dr. Pedro Nuno no início de 2023, dois anos depois, estava contratualizada mais de 90% da primeira tranche do dinheiro disponível e só tinham sido entregues menos de 10% das casas previstas. Três anos depois tinham sido entregues 12% das casas.

«Pagar a dívida é ideia de criança»?

Segundo a nota de informação estatística do BdP, em Março o endividamento da economia aumentou 5,4 mil milhões de euros, dos quais 1,7 mM do sector público, 2,2 mM das empresas privadas não financeiras e 1,6 mM das famílias.

Não ajuda muito constatar que as taxas da dívida pública estão a aumentar (a emissão de BT a 12 meses da semana passada foi com uma yield 0,3 pontos percentuais acima da emissão do mesmo prazo há dois meses) e irão continuar no contexto que se avizinha.

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Há várias causas para a doença de que sofre o SNS, das quais não é provável que faça parte a falta de dinheiro que continua a ser arremessado sobre os problemas: a despesa total com medicamentos aumentou 15,8% para 4,4 mil milhões de euros, dos quais os hospitais públicos aumentaram 11,2% para 2,5 mM; no 1.º trimestre deste ano, a despesa com medicamentos dos hospitais voltou a aumentar 7,6%. (fonte)

Take Another Plan. «Ser sócio do Estado na TAP? “Jamais”!”»

As palavras em título são de João Tovar Jalles, um economista que Harry Truman talvez considerasse ter uma só mão (*), para sumarizar o absurdo de esperar que um investidor privado torrará dinheiro indefinidamente na TAP com o Estado a mandar. Como que a dar-lhe razão por antecipação, o presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), avisou que poderá haver «um problema na estabilidade laboral» se a Lufthansa for accionista da TAP e sabemos que até agora todos os governos têm levado muito a sério os “avisos” dos pilotos.

Canários na mina de carvão

É cada vez mais ruidoso o coro dos canários a que são surdas as luminárias domésticas sempre tão concentradas nos seus inchados egos. A CE baixou as suas previsões de crescimento para 1,7%, com um défice de 0,1%, antecipa a perda de quota de mercado das exportações portuguesas, alerta para o impacto no turismo, que representa 1/6 da economia, da eventual escassez e da escalada dos preços do jet fuel, e do risco de "estaglação" (inflação a coexistir com um crescimento baixo ou nulo).
_________

(*) «Give me a one-handed Economist. All my economists say 'on one hand...', then 'but on the other...», disse um dia exasperado o presidente americano.

Sem comentários: