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21/06/2017

NÓS VISTOS POR ELES: A inoperância na luta contra os incêndios


Para contrariar a nossa tendência congénita para olhar para o umbigo e para a oscilação bipolar entre vermo-nos como o povo eleito e sentirmo-nos uns desgraçadinhos, deveríamos obrigar-nos a ler todos os dias ao pequeno-almoço uma avaliação das nossas obras feita pela estranja.

Para o pequeno-almoço de hoje aqui vai um excerto em portinhol do artigo de opinião com o elucidativo título «La inoperancia de Portugal en la lucha contra los incendios» que o jornal El Mundo publicou sobre os incêndios de Pedrógão Grande:

«Ontem, Portugal foi atingido por um terrível incêndio que causou mais de 60 mortes. É a tragédia com mais mortos em um único fogo em quase um quarto de século no mundo, um facto que revela as dimensões de um evento que revelou a ineficácia e a alarmante falta de recursos do Estado Português para lidar com incêndios florestais. Um flagelo que assola todos os anos com especial virulência o país vizinho, sem que as medidas proporcionadas sejam tomadas para combatê-lo.

A Polícia judiciária portuguesa acredita que uma tempestade eléctrica é a causa mais provável do incêndio, cuja rápida disseminação foi devida a "condições climáticas desfavoráveis", especialmente pela combinação de altas temperaturas e ventos fortes. Dezenas de moradores da região que circunda o município de Pedrógão Grande ficaram presos em um inferno de chamas e muitos deles pereceram queimados em veículos em que estavam tentando fugir. Outros morreram carbonizados em plena rua. As autoridades portuguesas, completamente ultrapassadas, mobilizam mais de 700 efectivos. Um dispositivo claramente insuficiente para controlar, conter e, finalmente, para apagar um incêndio de proporções tão devastadoras.

Não é aceitável que, no século XXI, num país da União Europeia um incêndio florestal possa causar um número tão elevado de mortes. Especialmente tendo em conta a história dos últimos anos. O que mostra este terrível episódio é que, hoje, Portugal não está preparado para lidar com o fogo. Nem tem realizado trabalho preventivo adequado, nem sequer dispõe de um dispositivo ideal para controlar, conter e extinguir incêndios, o que revela não só a ineficácia de suas equipes, mas uma preocupante ausência de meios. A crise e o resgate reduziram significativamente a capacidade de investimento do executivo Português. Mas isto não é razão para ignorar uma ameaça tão séria e preocupante como a do fogo, cujas consequências dramáticas excedem os danos ambientais.»

2 comentários:

António Almeida disse...

O PM da geringonça, veio dizer:

"Foi numa zona muito pequena onde ocorreram as mortes" como se tivesse sido uma situação fulminante. Mas sabemos hoje que o primeiro alerta ocorreu às 15:00 e as mortes ocorreram às 19:00.

->4 horas para a protecção civil gerir o transito nesta região! é tempo suficiente para coordenar com o GNR o corte de estradas.

Mas tinha a jornalista que gosta de se filmar ao lado de cadáveres e esta estava serena a ouvir a justificação que não "jogava", pelo menos na mente de alguém que apenas quer que o estado garanta a segurança. se nem isso consegue fazer valha-nos a anarquia, pelo menos fica mais barata.

Rasputine disse...

Os espanhóis já consideram que isto é o fim da carreira política do indiano Costa:

http://www.elmundo.es/internacional/2017/06/21/5949632cca4741045d8b45db.html