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19/06/2017

O politicamente correcto é inimigo da ciência

Há já alguns anos escrevi aqui: as ideologias, em particular os fascismos, como o comunismo, o nazismo, o fundamentalismo islâmico, sem esquecer o politicamente correcto, são inimigas da ciência. Todos os dias temos exemplos disso e ao ler a peça «Onde se meteu a “correcção política”» de Vasco Pulido Valente encontrei mais um.

Como escreve Pulido Valente, tal como a maioria dos portugueses, não li a Bíblia nem senti a necessidade de lê-la e não sei se faço parte da pequena parte dos indígenas que ainda conservam alguma coisa dentro da cabeça pelo que a tradução da Bíblia de Frederico Lourenço talvez não venha a dar-me uma grande ajuda.

Por tudo isso, só confiando na erudição e no discernimento (há boas razões para tal) e na imparcialidade (as razões são menos boas) de Pulido Valente, posso acompanhá-lo na sua conclusão de que a tradução de Frederico Lourenço está irremediavelmente contaminada pelo politicamente correcto ao ponto de traduzir  “Filho do Homem” por “Filho da Humanidade”«por causa da “sensibilidade de género”, que de resto se manifesta pela tradução inteira: onde aparece “homem”, se possível Lourenço escreve “ser humano”, enquanto as mulheres são sempre mulheres. Esta conformidade estúpida ao “politicamente correcto” data e deforma a tradução, além de a tornar inútil para qualquer construção teológica. (...) Falta dizer que na sombra pesa o movimento a favor do sacerdócio das mulheres.»

Sendo assim, Frederico Lourenço é mais um dos que em nome das «boas causas» perverte insidiosamente o seu trabalho. Dirão, no domínio inofensivo da “sensibilidade de género”, destes expedientes não vem mal ao mundo. Mas vem, porque é o reflexo da mesma atitude que legitima a pós-verdade e os factos alternativos que, com outros nomes, é tão velha quanto a humanidade. Com essa atitude e em nome de variadas causas já se exilou, prendeu, queimou, torturou e assassinou.