Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

29/04/2018

ARTIGO DEFUNTO: As teorias da conspiração como álibi para não fazer nada

Segundo as conclusões de três especialistas que publicaram no Observador o artigo «As falsas “provas” da TVI sobre o incêndio da Mata Nacional de Leiria», não tem qualquer fundamento a a reportagem “A Máfia do Pinhal” emitida no Jornal das 8 de 13 de Abril da TVI que atribui o incêndio na Mata Nacional de Leiria a uma «conspiração de madeireiros para incendiar (...) com o objetivo de obter benefício económico através da depressão do preço da madeira, induzida pelo excesso de oferta e urgência de a vender antes de se começar a degradar»


Atribuir os incêndios florestais a pirómanos ou a conspirações de madeireiros não é absolutamente nada original. Pelo contrário, é bastante popular até entre os "especialistas", pois não é verdade que o semanário de reverência citou um relatório onde se concluiu que 98% dos incêndios têm origem humana, apesar de mais de metade dos incêndios em Portugal não serem investigados?

É claro que atribuir a teorias da conspiração o que resulta de um conjunto complexo de factores causais, como a geografia, o coberto vegetal, a meteorologia e a época do ano, actuando sobre um combustível cuja acumulação pelo abandono das terras, pela incúria dos proprietários e a negligência dos governos é a principal razão da magnitude dos incêndios, nos dispensa de actuar sobre os factores controláveis (essencialmente a acumulação de combustível). Daí a razão da popularidade desta visão.

Sem comentários: