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07/04/2018

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (53)

Outras preces.

Com bastante atraso, registo um retrato de Marcelo Rebelo de Sousa pelo seu amigo (?) José Miguel Júdice na TVI de há 3 semanas, com um sumário no Jornal Eco («Marcelo, é difícil vencer a natureza profunda»), que evoca muito justamente a fábula do escorpião e do sapo (que Júdice troca pelo boi) para caracterizar Marcelo.

Vale a pena ler esse retrato do qual, à laia de teaser, respigo algumas passagens, começando por uma que explica porque razão quando leio o semanário de reverência fico com a impressão que têm um correspondente residente na área de Broca do cérebro presidencial:

«As mais recentes informações que o Presidente da República quis fazer circular (e ele afirmou que seria o único porta-voz de Belém…), sobretudo como é habitual em notícias de Ângela Silva do Expresso, mostram a outra face da moeda.

Basicamente, o Presidente continua (e agora de forma descarada, o que me parece institucionalmente grave) a ter como principal objetivo impedir a maioria absoluta do PS, e só tem estado mais calado para dar espaço a que Rui Rio se afirme como líder forte da oposição.

[...]

Infelizmente, estou a convencer-me que a história do escorpião (que no meio do rio pica o boi e acaba a morrer afogado com ele) não é de recusar como hipótese explicativa. É pena que assim seja, dirão os seus verdadeiros amigos? É verdade. A um homem que se aproxima dos 70 anos “nada se recusa”, como disse Mário Sá Carneiro a outro propósito? Claro que sim.

Mas o que mais lamento é que isto me faz lembrar demasiado o famoso “Super-homem” da minha infância: tinha tudo para salvar o mundo e dedicou-se a ajudar velhinhas a atravessar as ruas. Hoje, dir-se-ia que seria recordado pelos milhares de “selfies” com que encheria o Instagram dos portugueses e não por aquilo que realmente a longo prazo é essencial

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