Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

26/04/2018

CASE STUDY: Trumpology (31) - Give a dog a bad name and hang him

Mais trumpologia.

Não faltam motivos para criticar Donald Trump pela sua errática e desastrosa presidência, o que torna difícil perceber porque o atacam sem razão em vários casos como o da performer porno Stephanie A. Gregory Clifford, petit nom Stormy Daniels.

Numa sociedade que aceita a profusão de escolhas sexuais representadas na sigla LGBTQQIAAP (L = lesbian, G = gay, B = bisexual, T = transgender e fiquei a saber que Q = queer, Q = questioning, I = intersex, A = allies, A = asexual, P = pansexual), o que tem de condenável uma transacção comercial sexual ocorrida em 2006 entre um promotor imobiliário e a citada performer?

E se o promotor imobiliário resolveu candidatar-se à presidência, sabendo-se como os mídia americanos desenterram esqueletos e coscuvilham as cuecas dos candidatos, não é razoável que faça outra transacção com a perfomer em questão, dez anos depois da primeira, propondo-lhe através do seu advogado um acordo de confidencialidade e pagando-lhe a bonita soma de USD 130 mil?

Claro que é razoável. Irrazoável seria Trump ter pressionado e intimidado uma inocente estagiária para lhe proporcionar um fellatio gratuito na Sala Oval e, em cima disso, baseado no subtil distinguo inspirado na jurisprudência do tempo da condenação das bruxas da Salém entre coitus e fellatio tivesse negado publicamente ter tido sexo com ela («I did not have sexual relations with that woman») e tivesse sido aplaudido por uma audiência de mastronç@s que vinte anos mais tarde arvorariam com a maior falta de vergonha o hashtag metoo.

Resta acrescentar a falta de vergonha da performer Stormy que, depois de ter livremente aceite vender o seu silêncio por USD 130 mil, resolver accionar o promotor imobiliário entretanto eleito e, ainda por cima, depois de ter conseguido o título de the world’s most searched for porn star atribuído por um jornal especializado.

2 comentários:

Bilder disse...

Curiosamente parece que o maior perigo(como se o país não estivesse infestado pela corrupção,entre outros males,alguns evidenciados neste seu post)é o populismo(se acreditarmos naquele senhor que foi comentador antes de ser inquilino de Belém).Só se for o populismo esquerdista.

Anónimo disse...

Francamente, um bom resumo de Bilder.
abraço