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15/09/2014

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (5)

Confirmando as tendências recentes do comércio internacional de bens, nos 3 meses de Maio a Julho o aumento das exportações reduziu-se para 1,5% em relação ao período homólogo de 2013 e as importações aumentaram de 4,9%. Resultado: degradação de 427 milhões de euros do défice com redução de 2,7% da taxa de cobertura. (fonte: Destaque de Julho do INE)


Não é preciso procurar muito para encontrar a causa principal da degradação. O aumento das importações na rubrica Material de Transporte e Acessórios foi de 422 milhões de euros, quase exactamente o aumento do défice.




Quando se vê a tendência dos saldos negativos da balança comercial (bens e serviços) desde 1996 e se constata que rondaram em média os 10 mil milhões de euros (dos quais em média 15 mil milhões correspondentes a bens), percebe-se que são esses défices acumulados que geraram uma das maiores dívidas ao exterior em todo o mundo. E percebe-se que as melhorias iniciadas em 2011 que culminaram com um superavit de quase 3 mil milhões em 2013 (salvo erro, o segundo ou terceiro em mais de um século) estão em vias de se esfumar.

E se houvesse dúvida, os dados do Eurostat divulgados esta manhã confirmam que nos primeiros 7 meses o défice comercial foi o quarto percentualmente mais elevado na UE, atingindo 5 mil milhões de euros. Em apenas 7 meses foi invertida a recuperação das contas externas dos últimos 3 anos.

Se a isto adicionarmos um ano de eleições e um provável governo socialista hipotecado a promessas irresponsáveis, iremos ter saudades de troika e podemos começar a preparar o seu regresso.

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