Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

10/09/2014

Pro memoria (193) - Danos colaterais da falência do GES (3)

Continuação de (1) e (2)

O jogo do empurra entre o BdeP e a KPMG continua. Na entrevista a Sikander Sattar da KPMG, que o Expresso não publicou integralmente no sábado, este responsável revela que no dia 16 teria informado o BdeP de ter «tomado conhecimento da recompra de obrigações emitidas a partir de 11 de Julho com perdas significativas para o BES e que poderiam indiciar problemas».

Ainda na mesma entrevista, Sattar afirma que no dia 22 de Julho, isto é 3 dias antes do dia 25 em que Carlos Costa confirmou que o BES estava suficientemente capitalizado, a KPMG enviou um email ao «director de supervisão do BdP (informando) que foi detectado o esquema com as obrigações e que é possível que desta situação venham a ser identificados impactos significativos nas contas do BES».

Ainda no sábado, Pedro Duarte Neves emite um comunicado confirmando a reunião (inconclusiva, segundo ele) do dia 16 onde tenta desmentir Sattar com palavras ambíguas «não se tratava de uma situação esclarecida … não apresentou uma descrição completa …».

Como se, face a todos os factos graves já conhecidos e os indícios de factos ainda mais graves, fizesse sentido continuar a empurrar o problema com a barriga em vez de muitos meses antes fixar uma deadline à KPMG para apresentar um relatório factual e, talvez mesmo, fazer avançar uma auditoria forense.

Na 3.ª feira o BdeP divulga um comunicado onde informa que tinha sido retirado o pelouro da supervisão prudencial a Pedro Duarte Neves, a quem reportava o director de supervisão, principal responsável pelo acompanhamento do caso BES – uma confirmação indirecta que a equipa da supervisão poderá ter corneado Carlos Costa, para usar o plebeísmo de Francisco Granadeiro, um especialista nestas coisas.

Moral da estória:
  • O DDT tinha de facto imenso poder: trazia há anos no bolso Sattar, que o visitava assiduamente e confirma as relações próximas com ele; provavelmente terá directa ou indirectamente pressionado Duarte Neves e seu director, pois não é verdade que não foi desmentida a estória da ameaça velada do DDT (já vi vários governadores aqui no BdeP e ainda posso ver mais, terá dito a Carlos Costa)?
  • A KPMG falhou em toda a linha a identificação atempada de factos materialmente relevantes, como eles dizem no seu auditorês, e foi-se sempre refugiando na treta técnica e no formalismo;
  • A supervisão prudencial do BdeP, também falhou, consumindo meses no jogo de pingue-pongue com a KPMG;
  • Carlos Costa, que não pode ter deixado de intuir a gravidade do que estava em causa, ter-se-á deixado enrolar demasiado tempo na teia tecida pelo DDT e paralisado pela areia que a equipa de supervisão entornou nas engrenagens ou deixou que fosse entornada.

1 comentário:

Anónimo disse...

A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol III
No caso da farsa do despedimento coletivo do Casino Estoril,passam já quatro anos sem fim à vista por atraso da justiça a maior parte das pessoas estão na miséria e vão inevitavelmente por falta de ordem económica entrar em pobreza profunda este é o maior espectáculo de drama deste Casino Estoril.
Os denominados poderosos que não é mais que o esterco de uma sociedade, são abençoados por uma vida, boa que o único divertimento é dar concertos para os traficantes de influências afim de desgraçar vidas humanas, pois nunca lhes dão valor.
http://revelaraverdadesemcensura.blogspot.pt/