Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

19/09/2014

CASE STUDY: Uma espécie de «alívio quantitativo»

Numa velha anedota misógina, um pai respondia à pergunta de um filho «pai o que é a inflação?» com o exemplo da mãe: «quando a conheci pesava menos, era mais nova e valia mais e agora pesa mais, é mais velha e vale menos». (*)

A inflação é pois um fenómeno universal que nada poupa, nem mesmo as notas de avaliação escolar que qualquer observador atento da realidade pode confirmar vêm aumentando em todos os graus de ensino e, ao que parece, um pouco por todo o lado. Há várias explicações disponíveis para o gosto de cada um. Os mais velhos tendem a explicar a inflação das notas com o relaxamento dos critérios de avaliação. Os mais novos tendem a considerar que o fenómeno não carece de explicação, subentendendo que as novas gerações estão a ficar mais inteligentes - talvez por força de súbitas mutações genéticas que teriam encantado Darwin.

Como mostram os estudos de Stuart Rojstaczer citados pela Economist, o fenómeno é tão universal que não poupou la crème de la crème do ensino universitário americano – a Ivy League, como se evidencia no gráfico seguinte.


Citando a Economist, «universities pump up grades because many students like it. Administrators claim that tough grading leads to rivalry and stress for students. But if that is true, why have grades at all? Brilliant students complain that, thanks to grade inflation, little distinguishes them from their so-so classmates. Employers agree. When so many students get As, it is hard to figure out who is clever and who is not».

(*) Nota especial para alguma alma politicamente correcta aqui caída por engano: a anedota misógina pode facilmente ser ajustada à conformidade politicamente correcta trocando a ordem porque aparecem as palavras pai e mãe e alterando o género dos adjectivos.

Sem comentários: