Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

09/09/2014

O tigre celta e o tareco lusitano (5) – De como o professor João Ferreira do Amaral transforma o segundo no primeiro à custa de injecções

[Este post é uma sequência ilógica da série «O tigre celta e o tareco lusitano»]

«Aliás, não tenho isto estudado é apenas um ‘feeling', mas Portugal até poderia ser um caso sério de crescimento económico na União Europeia se tivesse esta ajuda cambial. Podia ser um verdadeiro tigre da Europa como foi a Irlanda, que aliás desvalorizou muito a sua moeda antes de entrar na moeda única e antes do tal milagre económico irlandês.» Foi o que disse o professor João Ferreira do Amaral entrevistado pelo Económico.

Numa questão desta magnitude, confessar que não estudou e só tem um «feeling» é ao mesmo tempo de uma grande honestidade e de uma grande irresponsabilidade por parte de um membro da economia mediática, que tem a seu favor ter sido dos pouquíssimos a ter apontado os riscos de uma economia como a portuguesa adoptar a disciplina monetária e fiscal imposta pela Zona Euro.

O certo é que nem é preciso muito estudo para concluir ser necessária uma dose considerável de fé para acreditar no milagre que a «ajuda cambial» faria a Portugal, a partir de uma hipotética saída do Euro, milagre que não fez durante mais de 2 décadas em que o melhor resultado foi 75% do PIB per capita ppc da Irlanda e com o euro pelo meio ainda desceu para 60%. E já nem falo do que se está agora a passar com a retoma do crescimento e o yield a 2 anos da Irlanda inferior a zero. Para arrumar o assunto reproduzo o quadro deste post do ano passado.


Ó senhor professor, perdoe-me a franqueza, mas para fazer de um tareco um tigre não chega abandonar o tareco à sua atávica indisciplina monetária e fiscal.

Sem comentários: