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23/09/2006

CASE STUDY: bendita econometria

Finalmente vê-se uma luz, que não é um comboio, no fundo do túnel, que não é o do Rossio.

Segundo o modelo econométrico que os doutores Pereira e Jorge Andraz usaram no estudo "O impacto económico e orçamental do investimento em Scut" que acabam de publicar, por cada milhão de euros que o governo investir em infra-estruturas rodoviárias o efeito acumulado no PIB será de 18 milhões de euros, a longo prazo (quando todos estivermos mortos, como dizia o velho Keynes).

Ultrapassando a dúvida inconveniente que se poderia colocar a respeito dum país como a Irlanda que, não tendo praticamente auto-estradas, conseguiu em 20 anos passar de um PIB per capita igual ao português para praticamente o dobro, o modelo dos doutores Pereira e Jorge Andraz mostra claramente o auto-estrada para a convergência real.

Imaginemos uma malha apertada de Scuts com 2.000 km de extensão (1), cobrindo a zona quase despovoada do interior do Nut Alentejo, ligando os montes alentejanos entre si (2). Suponha-se que cada um desses 2.000 km custaria 2 milhões de euros (3) e teríamos um investimento total de 4 mil milhões de euros. A longo prazo o efeito acumulado no PIB português seria de 72 mil milhões de euros, ou 2,4 mil milhões em média por cada um dos 30 anos que duraria o longo prazo dos doutores Pereira e Jorge Andraz. Ou seja, 2 anos após o termo do período de investimento este teria sido recuperado e a partir daí seria dinheiro em caixa.

Tudo isto sem o desconforto das reformas, a dor dos despedimentos, a trabalheira das qualificações profissionais, o risco do investimento, a maçada das conquistas dos mercados.

Meu deus, porque é que ainda não me tinha lembrado disto antes?

(1) Um pouco mais do dobro dos 960 km existentes e perfeitamente ao nosso alcance.
(2) Deveríamos preparar-nos para uma cruzada longa e maçadora do doutor Miguel Sousa Tavares, por lhe estragarem a vista rústica que desfruta do seu monte, mas acredito que valerá a pena.
(3) É uma estimativa conservadora. Com um cambão como deve ser poderia facilmente atingir-se os 3 milhões de euros por km e teríamos um efeito acumulado no PIB de 108 mil milhões.

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