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05/09/2006

BLOGARIDADES: abaixo o nacional-engraçadismo

sinais na Bloguilha dum higiénico movimento anti-engraçadismo, duma cruzada para expurgar essa moléstia da sociedade civil. Camilo já foi convocado.

Talvez fruto da influência e exemplo pessoal do professor Oliveira Salazar e do doutor Cunhal, podemos considerar o engraçadismo tecnicamente em extinção nos meios políticos. Abundam os bons exemplos (*) à esquerda e à direita e ao centro, do doutor Louça, do engenheiro Sócrates, o doutor Manuel Monteiro, ou do emérito e agora retirado professor doutor Freitas do Amaral, talvez o mais anti-engraçado político de todos os tempos. Nas meninges de todas estas criaturas procurar-se-à em vão quaisquer sinais de contaminação pelo engraçadismo. Só o caso do doutor Marques Mendes parece ainda indefinido.

Poderá dizer-se que não existem políticos engraçados? Não. Pode dizer-se apenas que, com pouquíssimas excepções, como a do doutor Alberto João Jardim, o Bokassa das Ilhas, segundo a expressão engraçada do doutor Gama, os políticos engraçados estão desacreditados. Quero dizer absolutamente desacreditados, porque o doutor Jardim só está relativamente desacreditado no Continente.

Também na intelectualidade é já hoje difícil encontrar uma criatura, sobretudo ligada às artes & letras e à cóltura em geral, que não se tome impiedosamente a sério - estado de alma que, desculpem a fraqueza, não deixa de ser engraçado.

Se na política e na cóltura a praga do engraçadismo está contida, e nas artes performativas como os entertainers ou os palhaços se tem que aceitar como uma deformação profissional, está tudo por fazer na Bloguilha, onde germinam almas saturadas de engraçadismo. Um só exemplo que vale por todos: o maradona de A causa foi modificada, o anti-cristo da gravitas.

(*) Para arrumar o assunto poderia citar o caso de praticamente todos os ocupantes do Palácio de Belém, o lugar geométrico do anti-engraçadismo e da gravitas, com a possível excepção do doutor Soares, que talvez por isso falhou a reeleição.

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