Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

08/01/2017

COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (4) - O tudólogo sucumbido

Outras botas para descalçar.

Miguel Sousa Tavares, o tudólogo (ver aqui porquê), depois de um ano a vilipendiar a obra de Costa, sucumbiu ao charme indiscreto da geringonça.

Na sua coluna habitual do Acção Socialista Expresso onde derrama todas as semanas as suas visões, começa por invocar o «impensável elogio» do Financial Times a Costa. Talvez seja um problema de inglês técnico que não lhe permitiu ir além do título - «Costa confounds critics as Portuguese economy holds course». Se tivesse lido, por exemplo, os dois últimos parágrafos perceberia que, se há elogio do FT, não é seguramente à governação de Costa mas à sua habilidade para chutar a bola para frente e iludir os problemas.

Mas o pior vem quando dá largas à sua tudologia e escreve a seguir sobre os feitos de Costa, tais como: «um crescimento acima de 1,2%» (acreditem, ele escreveu isso) e «um défice público claramente abaixo dos 3%» (esta, ele tem desculpa porque nesta altura já tinha esgotado a sua ciência). Encerra o assunto com um definitivo «os números são o que são».

MST será assim mais um a ter de descalçar a bota da geringonça, que talvez nunca venha a aperceber-se ter calçada como, até hoje, não percebeu ter o pé na bota dos Espírito Santo, que lhe foi enfiada pelo compadre Ricardo Salgado. Por isso, voltou na mesma peça a atribuir a responsabilidade pela falência do GES e do BES («um bom banco, o melhor a trabalhar com empresas e o mais conceituado lá fora») a... Passos Coelho (acreditem, foi isso que ele escreveu) que não deixou a Caixa emprestar 700 mil euros ao BES (na verdade, Passos Coelho disse não lhe competir dar ordens à Caixa para emprestar dinheiro).

Sem comentários: