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14/01/2017

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Distraído, mentiroso ou medroso?

Secção Musgo Viscoso

Para alguém que anda na política há mais de duas décadas, foi secretário de Estado de Guterres e ministro de Sócrates da Economia, primeiro, e das Finanças, depois, fazer um depoimento como o que fez na comissão de inquérito à Caixa só pode ser distraído, mentiroso ou está sob ameaça do animal feroz.

Respigo um entre muitos outros exemplos. Depois de há duas semanas o seu antecessor como ministro das Finanças de Sócrates ter admitido ser pressionado pelo animal feroz para nomear para a Caixa Santos Ferreira e o seu amigo Vara, Teixeira dos Santos diz que foi coincidência ter ele próprio nomeado a mesma dupla. Quanto a Vara explicou que «fez carreira na Caixa, era director, tinha conhecimento dos cargos de direção da Caixa e capacidade de liderança. Fazia a ligação entre a administração e a Caixa e sinalizava que os quadros da Caixa poderiam chegar à administração». Inexplicavelmente nenhum deputado presente na comissão de inquérito vomitou.

Com esta audição, Teixeira dos Santos merece cinco urracas pela falta de tomates, cinco bourbons por continuar igual a si próprio, cinco pilatos por ter passado o tempo a lavar as mãos das responsabilidades, e só não lhe atribuo cinco ignóbeis por não ter conseguido perceber se é distraído, mentiroso ou medroso.

Que a criatura com a sua songamonguice tenha conseguido atingir um estatuto de intocável do regime, depois das suas enormes responsabilidades no desastre socrático, diz mais sobre as nossas elites do que sobre ele próprio.