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24/01/2017

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (27)

Outras preces.

Há anos que não consigo ver mais do que alguns minutos das performances televisivas do agora presidente Marcelo. Pouco depois da sua ascensão a Belém, a minha tolerância reduziu-se rapidamente e desde há alguns meses tornei-me em absoluto incapaz de as ver.Tudo para dizer que não vi a entrevista presidencial de domingo.

Vou por isso comentar apenas dois detalhes amplamente documentados na imprensa. O primeiro foi a sua confirmação de continuar a privar com Ricardo Salgado, o que tem para mim dois lados. O lado positivo: o homem tem a coragem de não abandonar os seus amigos presumivelmente criminosos que deram emprego à sua eterna namorada; e o lado negativo: o homem não se distancia dos seus amigos presumivelmente criminosos que deram emprego à sua eterna namorada.

O segundo detalhe também tem para mim dois lados. O lado que confirma que mesmo que garanta só mudar de ideias se Cristo voltar à terra, o homem é bem capaz de o fazer sem Cristo se dignar aparecer-nos, como foi agora depois de ter deixado implícito que ficaria só por um mandato ter revelado que só lá para Setembro de 2020 é que decidirá, E o lado que confirma o que ele próprio concluiu ter dito Passos Coelho sobre a sua pessoa: «catavento de opiniões mediáticas».

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Já agora, deixai-me fazer um prognóstico sobre o provável triste fim que pode esperar quem, esforçando-se por amanteigar uma esquerda que só o tolera porque a amanteiga, se sentir obrigado a largar a manteiga para ele próprio não se afundar, quando essa esquerda se afundar e levar o país consigo, uma vez mais. Nessa altura, pode muito bem Marcelo ficar sem esquerda e sem país. Para quem imagina que a popularidade de Marcelo é um seguro contra todos os riscos, lembremos, que Cavaco, odiadíssimo no final do seu segundo mandato, tinha no final do primeiro ano uma popularidade superior à de Marcelo.

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