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17/08/2019

Estado empreendedor (107) - o aeroporto que só abria, abre ou abrirá aos domingos (11) - «Esfumou-se», disse ele

[Continuação de outras aterragens: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui]

Recapitulação

Ao princípio era o verbo do Eng. José Sócrates: mais de um milhão de passageiros até 2015 e o investimento seria recuperado nos 10 anos seguintes. Era o multiplicador socialista a funcionar de acordo com o estudo «Plano Regional de Inovação do Alentejo» da autoria de Augusto Mateus, um ex-ministro socialista da Economia do 1.º governo de Guterres. Segundo o estudo, o aeroporto de Beja iria constituir uma «plataforma logística para a carga a receber e a expedir de/para a América e África, incluído o transporte de peixe, utilizando aviões de grande porte e executando em Beja o transhipment para aviões menores para a ligação com os aeroportos europeus».

Há 5 anos escrevi que finalmente o aeroporto de Beja estava próximo de cumprir o seu destino, a propósito da notícia do Público da garantia dada por Jorge Ponce de Leão, o então presidente do conselho de administração da ANA-Aeroportos de Portugal, numa entrevista à SIC Notícias que as negociações estavam «muito avançadas» para instalar uma empresa especializada em «desmantelamento de aviões».

Comecei imediatamente a imaginar o aeroporto que só abria aos domingos aberto todos os dias a receber aviões para desmantelar, transformado numa espécie autóctone do Mojave Air and Space Port. O passo seguinte, antecipando o paradigma marcelista somos os melhores dos melhores, foi imaginar o Alentejo transformado em Califórnia.

Cinco anos depois, o Público volta ao tema do «projecto para desmantelar aviões na base de Beja» citando o presidente da câmara a dizer que o projecto «esfumou-se». Já se tinha esfumado o da plataforma logística, o de aeroporto low cost, etc. Talvez seja a nossa vocação. Seremos então os melhores dos melhores a esfumar projectos.

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