Há campos de concentração; há um autêntico genocídio em marcha, há ameaças sobre as famílias daqueles que escaparam da China e denunciam a barbárie noutros países. E há o pesadíssimo silêncio sobre o assunto. Hoje a informação faz-se com o que se vê, lê e se pode partilhar. Trump, Bolsonaro, Orban, Salvini, Maduro, são, por isso, mais detetáveis. Mas talvez nenhum deles constitua um décimo do perigo que Xi Jinping e a China representam para todos nós, sobretudo da guerra comercial (e não em nome de qualquer direito humano), que Trump move àquele país. (...)
A posição do nosso Governo é simples: Portugal assinou uma carta a apelar ao governo chinês para respeitar os direitos dos uigures e de outras minorias de Xinjiang. Mas – e como este mas é significativo! – fizémo-lo associados a muitos outros membros da União Europeia (porque o nosso respeitinho é muito bonito, além de ser lindíssimo o dinheiro que a China investiu em Portugal, na EDP, na REN, no BCP, em partes que restaram do BES e por aí fora). (...)
Mas onde estão os nossos ativistas, o pessoal do PCP e do Bloco? Os socialistas? Mesmo o PSD e o CDS e todos os que são tão sensíveis às perseguições? Onde se meteram? O próprio Papa consegue ser mais rápido e assertivo! Sim, porque na China os uigures são, em grande, o exemplo do que também sofrem os cristãos.»
Excertos de «China: os assassinos perdoados», Henrique Monteiro no Expresso Diário
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| Chinese actions in Xinjiang become a matter of international dispute |
