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26/05/2015

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (26) O clube dos incréus reforçou-se (V)

Outras marteladas.

O subtítulo «O clube dos incréus reforçou-se» talvez não seja aplicável ao caso da Economist que tem feito do alívio quantitativo (AQ) uma receita quase universal para fazer reviver a economia abalada pelos ajustamentos que se seguiram à eclosão da crise financeira de 2008.

Na verdade, trata-se mais de um equívoco do que falta de fé no AQ, fé que parece inabalável na Economist. O lead do n.º de 16 de Maio - «The great distortion» - são os incentivos ao endividamento resultantes dos subsídios implícitos nas bonificações fiscais atribuídas em quase todos os países aos juros dos empréstimos às famílias e às empresas. Vou transcrever dois parágrafos que dizem o essencial:

«People borrow more to buy property than they otherwise would, raising house prices and encouraging over-investment in real estate instead of in assets that create wealth. The tax benefits are largely reaped by the rich, worsening inequality. Corporate financial decisions are motivated by maximising the tax relief on debt instead of the needs of the underlying business.

Debt has many wonderful qualities—allowing firms to invest and individuals to benefit today from tomorrow’s income. But the tax subsidies have tilted the economy in a woeful direction. They have created a financial system that is prone to crises and biased against productive investment; they have reduced economic growth and worsened inequality. They are a man-made distortion and they need to be fixed.»

Chegado aqui, procurei avidamente a conclusão de que se as bonificações fiscais associadas aos juros ao baixarem o custo do endividamento empurram a economia na direcção errada, distorcendo a avaliação do risco e as decisões de compra e de investimento, o mesmo ainda mais intensamente se passará com as taxas artificialmente baixas que os bancos centrais têm vindo a praticar, em conjunto com a inundação de liquidez gerada pelo AQ, as quais empurrarão igualmente a economia na direcção errada, como o (Im)pertinências há anos vem concluindo.

Procurei em vão. Aparentemente, para a Economist as taxas de juro (líquidas de impostos) artificialmente baixas só são nocivas para a economia na parte que resulta da redução de impostos.

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