Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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15/05/2015

A maldição da tabuada (22) – A teoria dos números do emprego só tem números imaginários (II)

Continuação de (I).

A semana passada Passos Coelho disse no parlamento: «nos últimos oito trimestres [do segundo de 2013 ao primeiro de 2015], o número de empregos criados é já bastante sensível, anda muito próximo dos 130 mil postos de trabalho.» Não sei se e, se sim, não sei o quê, lhe terão ripostado os deputados da oposição a esta tontice num contexto em que o número de desempregados aumentou 2,1% e a população empregada diminui 0,3% no primeiro trimestre. Para o ridicularizar bastaria terem-lhe lembrado que a criação de postos de trabalho só diminui o desemprego se for em número superior ao da sua destruição – o que não foi o caso.

Lembrei-me a propósito que já aqui no (Im)pertinências desmascarámos uma manipulação socrática semelhante com o programa do XVII Governo onde a recuperação de postos de trabalho perdidos se tinha convertido em criação de postos de trabalho (ver o post «SERVIÇO PÚBLICO: começou por ser saga, continuou como comédia e acabou como tragédia» e os links nele embutidos). E voltámos a fazê-lo com Passos Coelho (ver o post «AVALIAÇÃO CONTÍNUA: O speechwriter de Passos Coelho meteu água em «termos líquidos»).

É de facto lamentável que os políticos deste país insultem invariavelmente a inteligência dos eleitores que não são imbecis (OK, não precisam de dizer-me que não são muitos). Só podemos escolher o grau de insulto e, desse ponto de vista, tenho de reconhecer que Sócrates foi imbatível e Costa vai no mesmo caminho.

1 comentário:

Antonio Cristovao disse...

Alias a mentira começa logo por andar a gladiar com um elemento que depende do sector produtivo e privado. Do Estado ainda estamos a pagar as consequencias da defesa dos postos trabalhos do sector publico nosso(deles claro) -transportes, ensino, saude, justiça.
Se os srs jornalistas e politicos tivessem menos interesse em narrativas coloridas talvez os eleitores votassem melhor.