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23/05/2015

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: A fábula do surto inventivo que nos assola (9)

[Outros posts sobre a mesma fábula: 08-08-2010; 28-11-2010;28-11-2012; 08-12-2013; 16-12-2013; 26-12-2013; 17-01-2014; 25-02-2014; 11-03-2014; 08-04-2015; 18-05-2015]

Segundo esta notícia do Expresso foram atribuídas pelo Conselho Europeu de Investigação (ERC na sigla em inglês) 2 bolsas avançadas de 2,5 milhões de euros a investigadores portugueses a acrescentar a 15 outras relativas a 2014. Segundo a prosa apologética do MEC isso «revela a crescente qualidade e internacionalização dos nossos cientistas e representa um investimento de mais de 31 milhões de euros».

Peço licença para discordar. Por benignidade, vamos admitir a bondade dos critérios de atribuição de bolsas por parte do ERC, o que não é pouco, porque esses critérios avaliados à luz dos resultados da investigação na Óropa (ver o quadro neste post) estão longe de serem indiscutíveis.

Ainda assim, com essa bondade, a dúzia e meia de bolsas atribuídas desde 2014 representam o quê num universo de quase 10 mil «investigadores» ou seja mais de 50% da média europeia em relação à população? Zero vírgula dois por cento, o que torna ridícula qualquer exaltação a este respeito.

Quando leio tais exaltações, lembro-me dos sketchs «Portugueses extraordinários (passe o pleonasmo)» da série «Melhor que falecer» em que Ricardo Araújo Pereira ridiculariza esta mania de glorificar os feitos dos patrícios - por exemplo uma entrevista a um famoso cozinheiro português que cozinhava para o secretário do adjunto de um realizador famoso. Ou lembro-me daquelas ridicularias dos jornais que escrevem «o Real Madrid de Cristiano Ronaldo» ou «o Chelsea de Mourinho».