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05/05/2015

De boas intenções está o inferno cheio (31) – A religião é a política por outros meios? (IV)

Uma espécie de continuação daqui.

Em posts anteriores aludi a uma ligação que espontaneamente fiz entre o papa Francisco e a teologia da libertação. Um comentário ao último post mostra com clareza que essa ligação não é de todo arbitrária. Pela sua pertinência vou transcrevê-lo:

«Na Igreja Católica, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou dois documentos sobre esta teologia: Libertatis nuntius (“Instrução sobre alguns aspectos da Teologia da Libertação”) em 1984, e Libertatis Conscientia em 1986. Os documentos, defendem a importância do compromisso radical para com os pobres, porém considera a teologia da libertação herética por fazer uma releitura marxista e de outras ideologias políticas da religião, sendo incompatível com a doutrina católica. Os Papas João Paulo II e Bento XVI também a repudiaram. Pontos fortes na condenação católica são a defesa do ideário comunista e pelo aberto apoio dado a regimes totalitários (Cuba, Venezuela, Coreia do Norte, p. ex)

A posição do Vaticano sobre a Teologia da Libertação mudou sensivelmente desde a eleição do Papa Francisco. Ele formou-se na Argentina na “Teologia do Povo”. Pouco depois de assumir o cargo, Francisco recebeu a 11 de Setembro de 2013 o padre Gustavo Gutiérrez, num gesto visto por observadores como “um passo para a reabilitação total da Teologia da Libertação”. Em 2004, o cardeal Gerhard Ludwig Müller e Gustavo Gutiérrez publicaram um livro na Alemanha, “Pobres e para os Pobres”.

Gerhard Müller foi nomeado em 2012 como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Em 2014, o livro foi reimpresso em italiano com prólogo do próprio Francisco, abrindo o caminho para o que alguns especialistas consideram como uma “Teologia da Libertação normalizada”, o que agora causa uma atenção considerável.»

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