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29/05/2015

ACREDITE SE QUISER: A FIFA, a banca e o czar Putin

Num país que onde o futebol se chama soccer e é menos popular do que o ping-pong, porque diabo a justiça americana se deu ao trabalho de investigar e acusar 14 dirigentes da FIFA, alegados corruptos (o alegado é por razões legais), a maioria deles não americanos?

A procuradora Loretta Lynch explicou que os suspeitos planearam os seus crimes nos EU (só nos EU é que se «planeiam» crimes), usaram o sistema bancário americano e «planearam» ganhar dinheiro através de esquema visando o «mercado americano de soccer em crescimento». Vladimir Putin, a quem a FIFA adjudicou o campeonato do mundo de 2018, não concorda e defende que se trata de uma intromissão ilegítima do imperialismo ianque que persegue ilegalmente pessoas acima de qualquer suspeita.

Num país que tem o sistema bancário maior e mais sofisticado do mundo, a justiça americana não se deu ao trabalho de investigar e acusar nenhum dos executivos de 6 dos maiores bancos do mundo (Bank of America, Barclays, Citigroup, JPMorgan Chase, RBS e UBS) por crimes de manipulação dos câmbios dólar-euro (crimes admitidos por 5 dos 6 bancos) e deixou o problema para as autoridades reguladoras americana e inglesa que fizeram com esses bancos acordos de pagamento de pesadas multas totalizando 5,6 mil milhões de dólares, as quais serão pagas pelos accionistas desse bancos, sem uma única acusação aos 20 banqueiros envolvidos nesses crimes. Vladimir Putin ainda não se pronunciou.

Não se sabe se por via de alguma imunidade de que têm desfrutado os banqueiros ou por outra razão, no caso FIFA nenhum dos 14 acusados é banqueiro, apesar de a investigação da justiça americana ter apurado que o pagamento das «luvas» aos dirigentes da FIFA foi feito através de 4 daqueles 6 referidos bancos (o Barclays e o RBS não foram citados) e de outros como HSBS e Julius Baer,

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