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21/02/2015

A defesa dos centros de decisão nacional (11) – Unintended consequences (II)

[Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7),  (8), (9) e (10)]


Recapitulando: a coisa começou com um Manifesto dos 40, seguido pouco depois pelo Compromisso Portugal, fóruns de empresários e gestores que defendiam a manutenção no rectângulo dos chamados centros de decisão nacional. Vários dos que juraram correram a vender os seus anéis na primeira oportunidade.

Com a OPA do CaixaBank sobre o BPI, a que se seguirá provavelmente a compra do Novo Banco pelo BPI, já maioritariamente espanhol, cumpre-se mais uma etapa desta tragicomédia da defesa dos centros de decisão nacional. Ao mesmo tempo, se assim for, a banca espanhola passará a controlar quase metade do mercado português e La Caixa ganhará dimensão para competir com os outros grandes bancos espanhóis e ganhar novos mercados.

Poderia ser de outra maneira? Não, não poderia. Para manter os benditos centros de decisão nacional, os empresários, os bancos, as famílias, enfim o país, não poderiam estar afundados em dívidas como estão. E para toda essa gente não estar afundada em dívidas teria começado por ser indispensável, entre muitas outras coisas, não ter acreditado nas tretas do ministro anexo Vítor Constâncio que na sua famosa declaração Mississipi garantiu aos papalvos que o resultado dos défices externos crónicos e do consequente endividamento seria para um país integrando a Zona Euro - que está a milhas de ser uma zona monetária óptima - o mesmo do que para um dos Estados Unidos.

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