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27/02/2015

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (21) – O mito da deflação (IV)

Outras marteladas.

Esta semana Janet Yellen, a presidente da Fed, foi duas vezes ao Congresso americano passar a mensagem que o aumento das taxas de juro, embora possível, não estaria eminente, apesar do crescimento robusto da economia nos últimos trimestres e do ritmo de criação de novos empregos. Tudo porque a inflação voltou a cair em Janeiro para 0,8% abaixo, portanto, dos sacrossantos 2%, objectivo da Fed. Porquê 2%? Porque não 1% ou 3% ou 4%?

E, olhando para o gráfico seguinte, a inflação subjacente não é hoje muito diferente do que era na véspera do desmoronar da construção criada com a receita de Alan Greenspan de reduções de taxa e de injecções de liquidez, ao mesmo tempo que alertava para a «exuberância irracional» que a Fed alimentava, nos anos que precederam a crise de 2008.

E qual é a surpresa por a inflação global estar a descer com os preços os combustíveis em queda, a produtividade a aumentar, os preços dos produtos importados da Europa a cairem pela desvalorização do euro, etc.?

Fonte: The Economist
À conta do combate ao papão da deflação, a Fed continua a soprar as bolhas nos mercados imobiliário e de capitais e a introduzir enviesamentos nas decisões com taxas de juro evanescentes que levarão a investir em projectos inviáveis a taxas de juro de mercado, seja lá o que isso for.

E, indo mais ao fundo da coisa, qual é o racional dos bancos centrais fixaram as taxas de juro, isto é a renda para o aluguer do dinheiro, e os governos (já) não fixarem (por enquanto?) a renda para aluguer das casas?

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