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11/02/2015

CASE STUDY: Dissonância cognitiva

Como é possível a coexistência no governo grego da coligação Syriza-Anel de um primeiro-ministro que defende um haircut da dívida e que a Grécia tem «obrigação histórica e moral» de reclamar à Alemanha cerca de 162 mil milhões de euros referentes a indemnizações da Segunda Guerra Mundial, entre outras coisas, com um ministro da Defesa de extrema-direita que se dispõe a fazer acordos com a Rússia ou China para obter dinheiro, e de ambos com o ministro das Finanças Varoufakis?

Ministro das Finanças que em 2012 escreveu no seu blogue sobre o manifesto do Syriza que não valia o papel em que estava escrito:
«It is not worth the paper it is written on. While replete with good intentions, it is hort (?) on detail, full of promises that cannot, and will not be fulfilled (the greatest one is that austerity will be cancelled), a hotchpotch of policies that are neither here nor there. Just ignore it.»
Ministro das Finanças que a semana passada, em entrevista ao jornal alemão Die Zeit, perguntado «During the campaign, Syriza announced a spending programme worth billions. Can it be implemented without new debts?», respondeu
«It has to. I can promise you: Excluding interest payments, Greece will never present a budget deficit again. Never, never, never!»
Daí, entre várias outras coisas, a elevada probabilidade de implosão do governo grego, isto, claro, no caso de não ocorrer antes uma explosão.

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