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06/02/2015

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (V)

Wolfgang Schäuble, o ministro alemão das Finanças, e Yanis Varoufakis, o ministro grego da Bancarrota, encontraram-se e concordaram em discordar.

«What are Spaniards to make of the news from Greece?» pergunta-se no Financial Times Andrés Ortega do Instituto Real Elcano, ex-responsável pelo planeamento do gabinete do primeiro-ministro espanhol. Antes de responder, Ortega lembra alguns factos geralmente omitidos no «conto de fadas»: a Espanha, com um quarto da mão-de-obra desempregada e finanças problemáticas herdadas do governo PSOE, tal como as da Grécia foram herdadas do PASOK de Papandreou e as de Portugal do PS de Sócrates, contribuiu com 26 mil milhões para os fundos de resgate que financiaram a Grécia o que é mais de metade dos 40 mil milhões que a Espanha recebeu do ESM para recapitalizar os seus bancos. E a Grécia? «Twice rescued, has also made sacrifices, but is yet to push really deep reforms».

Há quem considere que o governo grego está a cometer erros. Talvez esteja nas suas tácticas, porém isso não é o mais importante. Classificar as acções e políticas Syriza como erros seria o mesmo que concluir ter o lacrau da fábula errado ao morder a rã a meio da travessia do rio. Morder é da natureza do lacrau, como o programa do Syriza é da sua natureza. Alterar a natureza do Syriza é um feito ao nível do lacrau se converter numa inofensiva lagartixa.

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