Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

24/09/2011

CASE STUDY: A situação portuguesa é diferente da irlandesa, mas nem sempre para melhor (4)

[Continuação de (1), (2) e (3)]

Em diversas ocasiões desmitificou-se no (Im)pertinências a visão invejosa da esquerdalhada em relação à Irlanda, esfregando as mãos de contente pelo que julgavam a falência do modelo económico irlandês em tudo de diferente do português: estado magro e muito menos interventor, investimento público modesto (nada de auto-estradas nem estádios ou outras obras faraónicas), impostos menos penalizantes, prioridade às exportações. Deitaram os foguetes antes da festa, como aqui sempre se previu, não percebendo que a génese da crise irlandesa não tinha nada de comum com a portuguesa que é mais atacada pela paralisia duradoura do que pela crise.

A Irlanda ainda está longe de sair da crise, mas foi a segunda economia da zona euro que mais cresceu no segundo trimestre (1,6%) e reviu em alta o crescimento do 1.º trimestre (de 1,3% para 1,9%) puxado pelas exportações, apesar da queda do consumo interno.

23/09/2011

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Soberania e optimismo

«... O Governo de Passos Coelho tem muitos defeitos e problemas, mas exigir-lhe que recupere uma soberania (entregue sem apelo nem agravo aos credores internacionais) que o PS delapidou durante quinze anos com apoio dos grandes interesses económicos e de uma parte importante do eleitorado, é simplesmente absurdo e indigno de gente séria.

...E voltamos à história do optimismo que faz bem a Portugal. O rigoroso Ministro das Finanças fala de crescimento económico em 2013, o austero Primeiro Ministro diz que o fim da crise está a um passo em 2012. Um "remake" da propaganda de Sócrates. Quem diria? Três meses de um governo que não esconde a verdade e lá temos a mesma conversa. Precisamos de optimismo, não de mentiras cruéis. A crise não acaba em 2012, não haverá crescimento sustentado nem em 2013 nem nos próximos dez anos, não teremos as contas públicas arrumadas em 2015 (quando começarem a abrir as PPPs, vamos ter tantas "Madeiras"...). A próxima década será absolutamente terrível porque a economia portuguesa tem que fazer o ajustamento necessário para superar o endividamento público e privado excessivo bem como a actual completa ausência de potencial de crescimento.
»

Soberania e optimismo, Nuno Garoupa no Negócios

ESTADO DE SÍTIO: Porque não estou surpreendido?

O Tribunal considerou-se incompetente para julgar a acção do BPN contra alguns amigos do presidente.

Berardo testemunhando no caso BCP, considerou-se disléxico para justificar a falta de memória para as datas. A dislexia não o impediu de ter apresentado em tempos documentos internos do BCP. Esses documentos, cruciais para a prova contra a antiga administração, podem vir a ser considerados obtidos com violação do sigilo bancário e, nesse caso, o processo será anulado.

A minha memória está um pouco enfraquecida e talvez por isso não me recordo de nenhuma figura do regime ter sido até hoje julgada e condenada, seja pelo que for.

22/09/2011

BREQUINGUE NIUZ: Agências de Viagens lançam pacotes para observação dos buracos

Dizem-me que as Agências de Viagens lançaram pacotes para observação do Buraco da Madeira. Alguém lhes chame a atenção para o interesse turístico dos prodigiosos buracos do Contenente, agora injustamente obscurecidos. Espera-se, para bem da Nação, que as agências de viagens aproveitem esta colossal oportunidade.

As causas da crise segundo Teresa Ter-Minassian


Teresa Ter-Minassian chefiou a missão que acompanhou a intervenção do FMI em 1983 e conhece muito bem a economia e os problemas portugueses. Na conferência na Ordem dos Economistas do dia 13 Ter-Minassian descreveu as causas da crise portuguesa aqui muito bem sintetizadas por Tavares Moreira:

«1ª - Défices orçamentais excessivos originados por um forte aumento do consumo público. O défice primário estrutural (excluindo a componente cíclica e medidas temporárias) subiu em mais de 5.5 pontos percentuais em relação ao PIB entre 2008 e 2010.

2ª - Distorções no sistema tributário

3ª - Inadequados controles da execução dos orçamentos, resultando em sistemáticos excessos dos défices realizados sobre os valores orçados

4ª - Forte crescimento da dívida pública

5ª- Acumulação de responsabilidades publicas contingentes, relacionadas com o desempenho de entidades públicas autónomas, regiões e autarquias locais, e empresas públicas

6ª- Acumulação também de responsabilidades futuras associadas com as PPPs

7ª- Forte aumento da alavancagem e exposição a riscos de crédito dos bancos

8ª- Falta de diversificação das exportações, deixando-as vulneráveis a concorrência dos países emergentes com baixos custos

9ª- Rigidez no mercado laboral e falhas no sistema educativo, dificultando o crescimento da produtividade

10ª - Limitada inovação tecnológica, em parte reflectindo a atitude pouco favorável a investimento estrangeiro directo em sectores considerados estratégicos

11ª - Falta de concorrência em sectores importantes, especialmente de bens não transaccionáveis; dificuldades na gestão empresarial, devidos a excessiva burocracia e a falhas no sistema judiciário.»

Tavares Moreira estranha o silêncio dos mídia, silêncio na verdade compreensível. Afinal Ter-Minassian não referiu a crise mundial (Portugal e a Grécia são as únicas economias europeias em recessão segundo as previsões de Outono do FMI), a economia de casino, a conspiração das agências de rating, a falta de solidariedade da Sr.ª Merkel, e todo o rosário de ficções que o jornalismo de causas adoptou como vulgata para escamotear as causas específicas da crise portuguesa.

CASE STUDY: Efeitos da redução indiscriminada da TSU compensada por um aumento do IVA

Este post está relacionado com este e este posts do Pertinente e pretende refutar algumas conclusões do ensaio de Ricardo Reis (RR), citado aqui pelo Blasfémias.

A solução de RR é uma variante (pela inclusão do IMI) da preconizada pela troika: «baixar a TSU e subir o IVA e o IMI, em proporções que garantem que a receita fiscal não se altera». Em consequência, segundo ele, «mais algumas falácias caem por terra. Primeiro, que as empresas não vão reflectir no preço a baixa da TSU. Mas não há nada a reflectir: desce a TSU e sobe o IVA, pelo que o preço não tem que mudar. Se para quem exporta é que há uma queda de preço, e estas empresas operam em mercados bem competitivos. Segundo, que esta medida aumenta os lucros das empresas. De facto, diminui o que elas pagam em TSU, mas aumenta o que pagam em IVA, pelo que no total ficam na mesma.»

Caindo nas armadilhas habituais da macroeconomia, RR chega a conclusões erradas porque parte de premissas erradas. Para não complicar, vou deixar para mais tarde as actividades isentas de IVA ou com IVA reduzido, bem como o aumento do IMI. Pela mesma razão, vou centrar-me no mercado interno e deixar para depois as exportações.

A TSU é um custo para a empresa e a sua descida tem como impacto directo o aumento do lucro, ceteris paribus. Diferentemente, o IVA activo não é um custo para a empresa é um custo para o cliente e por isso o seu aumento sobre as vendas não tem reflexo nem nos rendimentos nem nos custos e o lucro permanece inalterado, ceteris paribus.

O IVA passivo suportado pela empresa (esquecendo por agora as actividades isentas de IVA ou com IVA reduzido) é deduzido ao IVA activo e, por isso, não afecta os custos e o lucro da empresa, sendo liquidado ao Estado o valor líquido. Assim, os aumentos do IVA activo e passivo não têm qualquer influência nos custos e nos resultados da empresa. (Isto resulta muito simplesmente da natureza de um imposto sobre o valor acrescentado e torna-se transparente com as regras de contabilização do POC/SNC.)

Chegados aqui, podemos concluir que a redução da TSU acompanhada ou não pelo aumento do IVA determinará um aumento do lucro, a não ser que a empresa decida reduzir os preços. E porque carga de água a empresa decidiria reduzir os preços? É preciso alguma fé para acreditar nisso em mercados de concorrência imperfeita, como são quase todos os nossos, em particular nos bens e serviços não transaccionáveis. Se os preços não forem reduzidos ou não o forem na precisa medida da redução da TSU, esta servirá para aumentar os lucros das empresas e, reflexamente os rendimentos dos empresários e accionistas e aumentar os preços dos bens e serviços em causa, degradando a situação dos trabalhadores.

É, portanto, errada a premissa de RR «no total ficam na mesma».

(Continua)

21/09/2011

Bons exemplos (25)

«Nas atuais condições, em que foi conhecido pelo país uma situação que é grave e que é irregular, que tem custos de reputação para Portugal, não seria compreensível que o primeiro-ministro fizesse qualquer confusão de caráter partidário e se envolvesse na campanha eleitoral da Madeira».

Passos Coelho na entrevista de ontem à RTP

Pro memoria (34) – mais legados de Sócrates

Agora que as atenções estão concentradas nas trafulhices do Bokassa das Ilhas, devemos recordar os legados de Sócrates recentemente referidos pelos jornais.

A Estradas de Portugal terá dificuldades em se financiar no próximo ano e será provavelmente financeiramente insustentável a partir de 2014.

De acordo com o relatório da auditoria pela Inspecção-Geral das Finanças «as sete subconcessões lançadas/adjudicadas nos últimos três anos [Transmontana, Douro Interior, Baixo Alentejo, Baixo Tejo, Litoral Oeste, Algarve Litoral e Pinhal Interior], apenas a partir de 2039 terão 'cash-flows' positivos, originando, até 2030, necessidades de financiamento de 6.332 milhões de euros».

«As SCUT e as ex-SCUT gerem cash-flows anuais negativos até 2025, no valor global de 4.433 milhões de euros»

Os défices dos hospitais, transformados em empresas públicas e até agora fora do perímetro do OE, vão ter que ser considerados para efeitos do défice e da dívida pública. 14 dos hospitais estão tecnicamente falidos.

CASE STUDY: a Madeira como região de culto (4)

[Sequela de (1), (2) e (3)]


Depois de uma longa sesta, o Tribunal de Contas descobriu mais 220 milhões de euros escondidos debaixo do tapete do gabinete do Bokassa das Ilhas.

Em 2000 as dívidas da RMA foram praticamente anuladas pelo governo de Guterres. Desde então, foram transferidos do governo central 3,6 mil milhões, 2 mil milhões de fundos comunitários e 7,7 milhões de receitas de impostos da região. Se a isto somarmos o acréscimo da dívida de praticamente zero para pelo menos 5,2 mil milhões (ou 7,3 mil milhões segundo o PS local que, tal como o central, também deve ser fraco em aritmética), o governo do Bokassa terá torrado 18,5 mil milhões ou quase 70 mil euros por cada súbdito.

Não admira que o PIB per capita madeirense seja pelo menos uns 20% superior ao português. E não admira que os súbditos tenham votado maciçamente no Bokassa. Aliás, abrindo-vos a minha alma, admira-me mais só terem votado nele cerca de 90 mil, ou seja menos de 40% dos cerca de 232 mil eleitores inscritos nas últimas eleições em 2007.

20/09/2011

ARTIGO DEFUNTO: «Não há factos. Os factos correspondem à visão do mediador, do repórter.»

Títulos da mídia portuguesa sobre os resultados das eleições regionais de domingo passado em Berlim:
  • Partido de Merkel derrotado nas eleições em Berlim (Público)
  • Partido de Merkel perde eleições regionais em Berlim (Diário Económico)
  • Desaire dos Liberais ameaça estabilidade do governo (DN)
  • Partido de Merkel saiu novamente derrotado das regionais na Alemanha (Sol)
  • Partido de Merkel derrotado nas eleições regionais (TVI)
  • Eleições em Berlim são (mais uma) pedra no sapato de Angela Merkel (ionline)
  • Merkel preocupada com "voto de protesto" dos alemães no Partido dos Piratas (Negócios)
  • Esquerda vence eleições regionais em Berlim (Expresso)
  • Partido de Angela Merkel perde eleições na capital alemã (Jornal Digital)
  • Desaire em Berlim ameaça estabilidade no governo de Merkel (Diário Digital)
  • Esquerda venceu eleições regionais em Berlim (Jornal de Notícias)
Quais foram de facto os resultados das eleições?
  • A coligação de esquerda SPD-Die Lieken que era maioritária deixou de o ser perdendo no conjunto 10 deputados;
  • O CDS de Merkel ganhou mais 2 deputados.

Esclarecimento: «Não há factos. Os factos correspondem à visão do mediador, do repórter» é um lema do jornalista de causas Baptista-Bastos.

Deviam respeitar um período de nojo (4)

Muita gente tem direito de se indignar com as trafulhices do Bokassa das Ilhas, culminando na fraude contabilística, merecedora de prisão se isto fosse um país a sério.

Muita gente, mas não toda a gente. Algumas dessas pessoas que não têm direito à indignação já as identifiquei aqui. Vou lembrar e completar a lista:
  1. Os eleitores daquelas ilhas que votaram pelo menos 2 vezes na criatura e todos os que vierem a votar nele nas próximas eleições;
  2. Todos os dirigentes do PSD desde o 2.º mandato da criatura que dela não se tenham distanciado publicamente;
  3. Todos os membros dos sucessivos governos centrais que alimentaram a chantagem da criatura;
  4. E, last but no least, todos os eleitores, simpatizantes, militantes e principalmente dirigentes do Partido Socialista que silenciaram as trafulhices nas contas públicas perpetradas pelos governos de Guterres (e ainda perdoou a maior parte da dívida da Madeira) e Sócrates.

DIÁRIO DE BORDO: Parques nacionais americanos vistos do espaço (5)

Kenai Fjords National Park - Alaska (Fonte: Wired)

19/09/2011

SERVIÇO PÚBLICO: Aerosoles não é Investvar

De um franchisado da Aerosoles recebemos o seguinte esclarecimento:

«Estive ligada ao Grupo Investvar durante muitos anos, após a insolvência da empresa fiquei desempregada. Infelizmente, sei muito bem o que se passou nos últimos anos dentro daquela empresa!

Porque tinha que continuar com a minha vida para a frente, abri uma loja Aerosoles através de franchising.

Porque continuo a ter interesse em saber o que se passa do que restou daquela empresa, tenho alguns alertas do Google, e chamou-me atenção ler no Blogue "Impertinências" a seguinte frase: A Aerosoles (também baptizada de Investvar e Move On). Tenho mesmo que fazer esta correcção. Não foi a Aerosoles que foi baptizada de Investvar e Move On, mas sim o contrário. A insolvência não foi da Aerosoles mas sim do Grupo Investvar. A Aerosoles é nome de uma marca Americana... e sempre foi. Apenas era comercializada em Portugal através do grupo Investvar, que eram os representantes da marca em toda a Europa. Mas não eram os donos da marca.

Como deve calcular, é muito complicado para quem tem uma porta aberta com a insígnia Aerosoles (e em Portugal são 10 lojas) continuar a ver este tipo de notícias através de jornais, principalmente

NOTA: As nossas desculpas pela confusão. Vamos fazer as devidas correcções em todos os posts publicados sobre este tema.

Lost in translation (122) – Onde o eng. Mira Amaral traduz o pensamento do Alberto a respeito do TGV da linha de bitola ibérica para mercadorias

«O TGV transformou-se numa querela ideológica. O PS é a favor (porque todo o investimento público é bom) e o PSD é contra porque desconfia que o investimento público estratégico é aquele que nos pede hoje sacrifícios em nome de sacrifícios maiores no futuro...

Nas penúltimas legislativas, Ferreira Leite acusava Sócrates de estar feito com os espanhóis, esquecendo que quem tinha assinado o compromisso tinha sido o seu governo...

A classe política (e os macroeconomistas conexos) (*) não percebe que o TGV é apenas um comboio de passageiros, não é uma linha e o que nós precisamos é de linhas de bitola europeia, para o transporte de mercadorias para a Europa, diminuindo os custos de transação da economia portuguesa. Tal é fundamental porque aí o modo rodoviário está esgotado por razões ambientais e energéticas. Isto foi coisa a que o lóbi eólico nunca ligou pois só se preocupava com o 'popó' elétrico (que não resolve este problema) porque via nele a maneira de escoar o excesso de eólica à noite.

O governo anterior via o filme ao contrário, querendo o Lisboa-Madrid em bitola europeia para transportar passageiros pelo TGV e fazendo de Sines para Espanha uma linha de bitola ibérica para o transporte de mercadorias, as quais teriam de ter depois transbordo para outro comboio circulando em bitola europeia para chegarem à Europa.

O ministro da Economia parece ter percebido o problema mas ainda não se soube explicar e por isso levou um ataque ideológico do PSD por supostamente defender o TGV!

O que há então a fazer é o seguinte:  
  • fazer o troço Poceirão-Caia em bitola europeia;
  • aproveitar a linha de 12 km Poceirão-Pinhal Novo que está em bitola ibérica e numa das vias colocar um carril interior, transformando-a em bitola europeia e levando-a até à Autoeuropa;
  • do Poceirão fazer em bitola europeia nova ligação a Sines e Setúbal.
 Com isto, teremos estes portos e a Autoeuropa já ligadas à Europa, através de Espanha, em bitola europeia!

Depois, como o tráfego de passageiros será pequeno, a linha em bitola europeia até ao Pinhal Novo pode perfeitamente trazer o TGV de Madrid. Aí, sem paragem, ocorrerá a adaptação dos rodados do comboio e este vem tranquilamente até Lisboa pela linha de bitola ibérica e pela ponte 25 de Abril. Com esta solução, investe-se no transporte de mercadorias e quem quiser (até podem ser os espanhóis) traz o TGV até Lisboa, mas sem gastarmos dinheiro em linhas por causa do TGV.

Este raciocínio de linhas de bitola europeia para levar as nossas mercadorias para a Europa também tem de se aplicar aos portos de Aveiro e Leixões e ao escoamento das mercadorias do norte e centro do país. Só que, segundo me dizem, esses projetos ainda não estão feitos e o pais não terá neste momento recursos para fazer todos os investimentos necessários na bitola euro­peia. Comece-se pois pelo tro­ço já estudado e saiba-se expli­car que esta solução não é igual à do TGV socialista!»

TGV E MERCADORIAS, Luís Mira Amaral, no Expresso de 17-09

(*) Sugestão ao Impertinente: adiciona ao Glossário os «macroeconomistas conexos» , como sinónimo de «palhaços que vão à televisão falar de economia» (João César das Neves).

CASE STUDY: Os amigos do presidente

Com amigos como Oliveira e Costa, ex-presidente do BPN, ou Dias Loureiro, ex-administrador da holding do BPN e ex-conselheiro de Estado, Cavaco Silva já teria podido dispensar os inimigos. Agora, junta-se-lhes o amigo Duarte Lima, igualmente com um recheado currículo, começado nos anos 90 com a movimentação de inexplicáveis milhões de contos em dezenas de contas bancárias e agora fortíssimas suspeitas de envolvimento no assassinato da companheira de Tomé Feteira, antecedido, uma vez mais, da movimentação de inexplicáveis milhões de euros.

Receia-se, no mínimo, uma grave deficiência de discernimento por parte de Cavaco Silva.

DIÁRIO DE BORDO: Parques nacionais americanos vistos do espaço (4)

Yellowstone National Park - Wyoming, Montana, Idaho (Fonte: Wired)

18/09/2011

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Diz muito

Entrando na fase delirante, o Bokassa das Ilhas reconhece ter escondido dívidas na véspera negadas e tenta mobilizar as tropas usando o velho expediente do inimigo externo. Infelizmente para táctica dele, o inimigo externo já foi derrotado nas últimas eleições. Invoca o «estado de necessidade» e a «legítima defesa» para gastar o que não podia e esconder o que não devia.

Diz muito sobre os eleitores daquelas ilhas uma criatura assim ter sido sucessivamente eleita durante mais de 30 anos e arriscar-se a ser eleita uma vez mais. Como diz muito sobre o PSD tê-lo considerado o seu vice-rei daquela região. E como diz imenso sobre quase duas dezenas de governos centrais que lhe apararam as golpadas e, ao fazê-lo, incentivaram os eleitores a eleger uma vez mais o político que ao mesmo tempo insultava o poder central pelas supostas afrontas e o chantageava extorquindo-lhe resgates.

Estado empreendedor (55) – o aeroporto que só abre aos domingos

[Continuação de outras aterragens: aqui, aqui, aqui, aqui e aqui]

Pode o aeroporto de Beja nunca vir a ser uma «plataforma logística para a carga a receber e a expedir de/para a América e África», abrir só aos domingos, levar um check-in de 16 turistas num Embraer tanto tempo como o de 200 turistas num Airbus, podem os voos de 49 lugares partir com 7 passageiros, pode tudo isto ter custado muitas dezenas de milhões de euros nos últimos dez anos, mas é um preço que vale a pena pagar para ver felizes 1,8 passageiros por dia .

DIÁRIO DE BORDO: Os songamongas

Tiro o meu chapéu a Christine Lagarde por ter ensinado os filhos a serem «autónomos e a não contar com nenhuma mulher para «lhes» fazer a cama ou o jantar … e (porque) não cultivou nos filhos o espírito de dependência tão apreciado pelos povos do sul da Europa».

Aproveito para também tirar o chapéu ao bomba inteligente por ter percebido ser «provável que a elevada percentagem de songamongas neste mundo tenha sido educada por mães que os protegeu das agruras do trabalho doméstico», e de outros trabalhos, acrescento. Aplaudo o termo «songamonga» para caracterizar os pamonhas filhos dessas mães.

Mitos (53) – para terem sucesso as empresas precisam de colo do estado e de boa imprensa

Depois de uma laudatória descrição do sucesso da BA Vidros, a antiga Barbosa & Almeida, actualmente um dos melhores produtores de vidro em todo o mundo, à beira da falência há uma dúzia de anos, Nicolau Santos, o pastorinho da economia dos amanhãs que antes cantavam e agora choram no Expresso, termina a perguntar-se «se a BA chegou ao topo, porque não podem outras empresas portuguesas ser também líderes mundiais?»

Celebremos em primeiro lugar a inauguração, tanto quanto me lembre, de Nicolau Santos na consagração de uma empresa representando algo mais do que um balão mediático pendurado no governo e por si soprado.

Notemos em segundo lugar que, acertadamente, ele não se pergunta «porque não são outras empresas portuguesas também líderes mundiais?» Em vez disso, ele pergunta-se «porque não podem» e não responde, apesar de a resposta estar contida no laudo que a precede.

A resposta está lá e é simples. A BA é dirigida desde 1999 por Carlos Moreira da Silva, um homem Sonae embebido de uma cultura empresarial nos antípodas da cultura das empresas de sucesso do complexo político-empresarial socialista, promovidas pelos pastorinhos e dependentes dos lóbis e dos negócios à volta do Estado socialista e das empresas amigas. É por isso que «não podem outras empresas portuguesas ser também líderes mundiais» a menos que se libertem da tutela do estado que as sufocas e nos sufoca e para isso precisam de outra gente. E é também por isso que entregues a si próprias sem o colo estatal, as PME da indústria do calçado estão a dar a volta por cima dos destroços da Aerosoles Investvar, falida apesar dos milhões lá enterrados por Sócrates.

DIÁRIO DE BORDO: Parques nacionais americanos vistos do espaço (3)

Denali National Park - Alaska (Fonte: Wired)

17/09/2011

SERVIÇO PÚBLICO: Bendita troika

Quando se receava que o governo optasse pela transferência gradual dos fundos de pensões da banca para ir tapando os buracos do OE nos próximos anos enquanto prosseguia a alimentação a pão-de-ló da vaca marsupial pública, o trio FMI/FEEF/BCE já fez saber que só em 2011 essa transferência poderá ser usada com essa finalidade. Obrigado ó troika. É uma limitação da soberania? É sim senhor. É como um pai a cortar a mesada do filho adolescente retardado para não ir gastá-la nos injectáveis.

CASE STUDY: a Madeira como região de culto (3) - Actualização

[Sequela de (1) e (2)]


A propósito da dívida cujo montante o Bokassa das Ilhas diz desconhecer, admitindo-se poder ser de 5 mil milhões (uns 18 mil euros por cada um dos seus súbditos, aos quais haveria de acrescentar-se outro tanto da dívida da República, se é que o Bokassa e os seus súbditos se dignam assumir a respectiva quota parte), o Alberto João produziu um conjunto de declarações dignas da família Soares e do seu desprezo por políticos ocasionais e sobretudo contabilistas que não contribuíram para a gloriosa história pátria. Mais nacos do seu prolixo pensamento:

«A questão não é essencialmente de número. A questão é porque é que se chegou aqui e o que é que se pretende agora fazer. A questão não é estar a brincar aos números, que pelo que vejo na cabeça de muita gente, variam todos os dias.

Até eu não posso pô-los porque não estão completamente apurados, porque há dívidas que não nos foram pagas, há dívidas que ainda não pudemos pagar e, portanto, é escusado estarem aí a esgrimir quando, nada está definitivo, nada está apurado.

Pretendo é que primeiro a banca não esteja a funcionar como um impedimento à assistência que é devida à actividade económica … tem que haver autoridade sobre a banca e esta tem que obedecer às orientações do Estado.»

O homem é um paradigma do homem novo socialista.

Ainda mais nacos:

«Nem paro com as obras, nem vou afastar ninguém da função pública. ... O PS e CDS e outros partidos não são mais do que marionetes nas mãos dos ingleses e capitalistas disfarçados de Esquerda, para fazerem que a Madeira volte para trás e o PSD saia do Governo.»

Com os 1,1 mil milhões saídos debaixo do tapete do Bokassa e os 0,6 mil milhões das dívidas da SESARAM e ViaMadeira que serão assumidas pelo governo regional, já vamos em 1,7 mil milhões de euros que obrigarão a corrigir os défices de 2008 a 2011 e constituem, até agora, um recorde do rácio de derrapagem de contas públicas - a dívida por obra e graça da capacidade de armazenagem do tapete bokassiano inchou uns quarenta por cento.

Perguntas:
  1. Onde andava o Tribunal de Contas para não ver uma cratera desta dimensão?
  2. Quando vai Alberto João ser preso ao abrigo do artigo 14.º da Lei Lei 34/87, de 16 de Julho?
  3. Será a dívida de 5 mil milhões ou de 8 mil milhões como nos garante o actual líder do PS, depois de ter demonstrado falta de acuidade visual durante os últimos 6 anos para ver a dívida deixada pelo seu governo? 

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Do lado errado, outra vez

Secção Padre Anchieta

A proposta Modesto Navarro
O deputado do PCP Modesto Navarro não esteve «preparado para intervir» na discussão sobre reestruturação das empresas municipais porque não recebeu o printout dos documentos enviados para os gabinetes municipais por via digital.

Como os índios tupis do padre Anchieta que na rapidez da caminhada deixaram ficar a alma para trás, os deputados municipais do PCP deixaram ficar a alma atrás do muro em Berlim Oriental. Levam por isso 4 chateaubriands por se encontrarem no lado errado do digital divide e 5 bourbons por se encontrarem de há muito nos outros lados errados da história.

Estado empreendedor (54) – Aerosoles Investvar (VI)

[Continuação de (I), (II), (III), (IV) e (V)]

A Aerosoles Investvar (também baptizada de Investvar e Move On) foi um modelo de sucesso de José Sócrates e do jornalismo de causas económicas. É provavelmente um paradigma da intervenção de governos compostos por sujeitos que só entram nas empresas para inaugurar o resultado de subsídios atribuídos, nunca criaram um posto de trabalho mas são pródigos a criar sinecuras para os seus apaniguados.

À boa maneira do portuguese way, só depois da queda dos governos as vozes ousam fazer-se ouvir. Como a voz de Artur Duarte, o antigo proprietário, desculpando-se agora por nos últimos tempos só ter os poderes da rainha de Inglaterra e confessando que «o Governo meteu 15 milhões na ex-Aerosoles Investvar para aguentar até às eleições». Too late, too little.

DIÁRIO DE BORDO: Parques nacionais americanos vistos do espaço (2)

Canyonlands National Park - Utah (Fonte: Wired)

16/09/2011

Lost in translation (122) - Se isto fosse na América nem tinha começado…

… porque não haveria uma Caixa, um BES e um BCP a emprestarem-me mil milhões para comprar acções do BCP. É esta a tradução em português corrente do lamento de Joe Berardo: «se fosse na América (o processo do BCP) … já tinha acabado».

Para que servem as golden shares e os acordos parassociais com o Estado?

(Republicação)

Servem para substituir uma figura de cera do regime por outra figura de cera do regime. E já tinham servido para manter na reserva desde 2004 a figura de cera substituta.

Vou esperar mais algum tempo antes de me declarar admirador de António Mexia (7)

[Continuação de (1), (2), (3), (4), (5) e (6)]

Warren Buffett, o sage de Omaha, desafiado a comprar uma participação na EDP desistiu. Também não parece acreditar muito no homem, no governo ou no país, ou em todos eles.

Receita infalível para a falência da universidade (2) - dottorati da Bologna a portoghese

Em tempos, comentei aqui os quase 5 mil cursos a bolognese. Acrescento a esse comentário parte do post do prof. Pinto da Costa no blogue A ciência não é neutra (via 4R) sobre os doutoramentos a bolognese.

«O modelo de doutoramentos americanos é aquele em que se formou não só a espantosa criatividade tecnológica americana, mas também a asiática e muita da europeia!

Até há alguns anos, para se atingir um doutoramento em Engenharia nos EUA tinha-se de ter feito primeiro um Bacharelato de 4 anos, e depois um Mestrado de 2 anos, com tipicamente ano e meio de cadeiras. As cadeiras de Mestrado pertenciam a uma categoria muito mais exigente que as do Bacharelato, as de pós-graduação, e em regra apenas 1 em 4 bacharéis americanos em Eng.ª fazia o Mestrado. Porém, devido à procura por estudantes estrangeiros, o número de Mestres produzidos em Engenharia nos EUA era de facto de 1 para cada 3 Bacharéis.

Tirando a importantíssima diferenciação qualitativa entre as cadeiras de pós-graduação do Mestrado e as do Bacharelato, em número de anos curriculares a exigência não era muito superior à que tínhamos em Portugal antes de Bolonha (mais meio ano, e mais outro tanto para a Tese) e era mesmo igual á que existia até 1970 (quando as licenciaturas em Eng.ª eram de 6 anos em Portugal). Havia também nos EUA Mestrados profissionais, sem Tese, e que em vez desta tinham (mais) cadeiras.

Ora o doutoramento americano requeria em regra mais outro tanto de cadeiras de pós-graduação (portanto, tipicamente mais ano e meio), o que totalizava 7 anos de cadeiras, dos quais 3 de nível superior.

Quando o Mestrado em Engenharia surgiu em Portugal, em 1983, além de exigir a licenciatura prévia de 5 anos, exigia também que esta tivesse sido feita com média de pelo menos 14 valores. As cadeiras estendiam-se por um ano e pode-se dizer, portanto, que nessa altura o Mestrado português em Eng.ª equivalia ao americano, do qual fora aliás em alguns casos simplesmente copiado, nomeadamente a nível dos conteúdos curriculares. Foi a época da criação do INESC e da explosão de doutoramentos em geral. Estes doutoramentos, porém, continuavam a não ter componente curricular, na tradição europeia de origem alemã, e daí as minhas críticas observações no texto feito para a EFACEC.

Compare-se isto com o que trouxe Bolonha: "licenciaturas" de 3 anos, e um Mestrado de 5 com apenas 4 anos e meio de cadeiras, e sem pré-selecção entre uma coisa e outra!

Por outro lado os doutoramentos agora disponíveis seguem o modelo de Bolonha (3º ciclo), alguns em parceria com Universidades americanas, nomeadamente no âmbito do "MIT-Portugal", mas onde se tem apenas um ano de cadeiras (no caso do MIT-Portugal, de qualidade mais que duvidosa!...).

Ou seja: com Bolonha, a componente curricular do doutoramento totaliza agora 5 anos e meio, menos que um Mestrado dos anos 80/90 e tanto como um Mestrado americano, além de que deixou de existir o requisito de ter feito o grau anterior com pelo menos 14 valores!

Por outro lado, a Tese que antes não tinha componente curricular mas se estendia em regra por 4 ou 5 anos, agora é para 2 anos.

Em suma: o Mestrado actual curricularmente é menos do que a antiga licenciatura, e o Doutoramento actual totaliza menos cadeiras que o Mestrado dos anos 80/90, para já nem falar no doutoramento americano...

Quanto ao Doutoramento antigo, de tipicamente de 5 anos de Tese, pura e simplesmente desapareceu. Não há. Nem o correspondente treino de I&D!... »

15/09/2011

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: OCDE chumbada

Secção Insultos à inteligência

O programa Novas Oportunidade é talvez o expoente máximo do método socrático de governação: fazer marketing trabalhando para as estatísticas. Em pouco anos, aviando diplomas para centenas de milhar de estudantes chumbados ou desistentes em anos anteriores, com base em trabalhos autobiográficos do tipo «A minha vida dava um filme», o nosso índice de conclusões do ensino secundário passou da cauda (à volta de trinta por cento de conclusões) para a cabeça (96 por cento) do pelotão europeu.

O facto de muitos portugueses se maravilharem com estas mistificações compreende-se e até explica porque pôde Sócrates desgovernar Portugal durante 6 anos com saldos positivos de apreciação. O facto de a actual liderança do PS se escandalizar com a honestidade de Nuno Crato, ao considerar que tais resultados «escondem a realidade» (seria mais exacto dizer mistificam a realidade), também se compreende e até explica como pôde o PS, sem um murmúrio, apoiar Sócrates na desgovernação de Portugal.

Quem fica mal na fotografia é a OCDE por não ter percebido a fraude e por isso leva 4 chateaubriands.

NOTA: O título original deste post era «O chumbo da OCDE». Chamaram-me a atenção para a possível errada interpretação desse título. Ficou «OCDE chumbada»

A defesa dos centros de decisão nacional na prática

A propósito da venda em curso das participações do Estado e recordando o que aqui, aqui, aqui e aqui escrevi, em síntese é o equivalente a uma família financeiramente libertina que, depois de torrar os activos fungíveis da herança e de assaltar a caixa das esmolas da capela, começa a vender as pratas, não para educar os filhos, o que seria aceitável, mas para pagar as dívidas de jogo.

Assim prossegue o eterno sacrifício dos «princípios» à dura realidade da falta de dinheiro do país, do estado, das empresas e das famílias, produto inevitável do desgoverno. A procissão ainda vai no adro.

Pro memoria (33) – um ex-ministro despachado

No OE 2011 o governo de José Sócrates em exercício congelou a contratação de novos funcionários sem autorização prévia do ministro das Finanças.

No 1.º semestre, o saudoso ministro das Finanças Teixeira dos Santos, assinou ou deveria ter assinado 6.496 despachos, à razão de 50 por dia útil, a autorizar excepcionalmente a contratação de outros tantos novos funcionários.

14/09/2011

Bons exemplos (24)

«Comigo a governador, não é possível um modelo de participação do Estado que afaste o controlo pelos accionistas privados e que leve a uma estatização da banca
Declaração ao Negócios de Carlos Costa, governador do BdeP, não-ministro anexo, a única nomeação do governo de José Sócrates que não foi uma numeração

CASE STUDY: a Madeira como região de culto (2)

[Sequela deste post]


Nacos do pensamento político megalómano-delirante recente de Alberto João, o Bokassa das Ilhas:

«A fúria que muita gente me tem, principalmente os da Madeira velha, é que, comigo, nunca o poder financeiro se impôs ao poder político. Eu represento a população. Ajo em nome da população. E, tenha muito ou pouco dinheiro, vão democraticamente obedecer ao que tem que ser feito. Assim é que é a democracia.
… Como o poder financeiro tem muito dinheiro, obviamente faz vários poderes políticos fazerem guerra a mim.
… Eles organizam uma guerra contra a Madeira e contra o Alberto João.
… O que está mal não foi a política da Madeira. O que está mal foi a política internacional que levou os bancos à situação em que se encontram.
... Os senhores não se esqueçam que como a pancada toda que como porque nunca me agachei aos poderes financeiros.»

13/09/2011

SERVIÇO PÚBLICO: O Estado perdeu O país ganhará os transportes

«Em Janeiro, Passos Coelho disse uma frase explosiva: as empresas públicas que dão prejuízo crónico devem ser fechadas. Depois de uma rajada de críticas, Passos recuou. Fez mal. Porque é exactamente assim. É por lucro que a Transdev e a Barraqueiro querem a CP, Carris, STCP e metros. Lucro comparticipado pelo Estado, é claro.

EDP e REN não há muitas. Há empresas que o Estado vai vender não para ganhar dinheiro mas para limitar as perdas. A TAP ou é vendida por pouco mais de zero ou deixa a dívida no Estado, o que vai dar quase no mesmo. A privatização da RTP só acontecerá se o Estado continuar a pagar serviço público aos privados. As empresas de transporte só são viáveis - só poder dar... "lucro" - se o Estado pagar a fatia social das tarifas.

As empresas de transportes públicos não são todas iguais: umas têm um problema, outras têm dois. O problema que todas têm é uma dívida absurda que está por resolver. Mais tarde há-de reconhecida como dívida pública.

Mais cedo há que refinanciá-la. São quase 25 mil milhões de euros que o empréstimo da "troika" não prevê, a banca portuguesa não tem e a banca estrangeira não dá. Mas admitamos o sonho: a dívida não existia. E então? Então sobrava o problema que algumas têm, a total inviabilidade operacional.

Estas empresas não são viáveis operacionalmente, têm custos a mais ou receitas a menos. Do lado dos custos, apenas a Carris e os STCP trabalharam a sério nos últimos anos. Nas demais, o esforço foi tão intenso como o de limar arestas num círculo. Do lado das receitas, as indemnizações compensatórias artificialmente baixas e tarifas subsidiadas de forma errada (pela idade em vez de pelo rendimento), geraram um hipopótamo de dívida que vai custar os olhos da cara aos contribuintes.

O interesse de (para já) duas grandes empresas nas privatizações e concessões de transportes públicos significa que o Governo vai fazer para os privados o que nunca fez para si mesmo. Vai separar a dívida e repor os contadores a zero; vai assinar contratos de serviço público; e vai definir indemnizações compensatórias maiores e realistas. É ridículo mas é assim: só para vender é que o Estado assume que tem de pagar mais; só privatizando é que a tutela consegue impor melhor gestão. E porquê? Porque se proíbe a si mesmo de lá intervir e gastar a fundo perdido.

O Estado esteve mais de trinta anos a gerir estas empresas todas juntas. Foi responsável pela sua destruição financeira. Consumiu biliões em impostos dos portugueses em má gestão, serviços políticos e investimentos ruinosos. A Linha do Norte é um exemplo. Devia chamar-se Linha da Morte. Devia haver gente a prestar serviço comunitário para compensar o erário público do descalabro que lá fomentou.

O melhor sintoma da incapacidade do Estado é que tanto a Barraqueiro como a Transdev querem CP, Carris, STCP e metros de uma assentada. Porque reconhecem as sinergias que o Estado nunca aproveitou. A autoridade metropolitana dos transportes é uma história que tem barbas. Barbas de molho. Porque não funciona. Os privados não precisam de autoridade metropolitana. Têm uma coisa chamada conselho de administração. E gerem tudo articuladamente.

O que Passos Coelho devia ter explicado em Janeiro é que estas empresas não podem dar prejuízo crónico operacional uma vez recebidas indemnizações compensatórias. Foi isso que o Estado nunca conseguiu e que os privados hoje disputam. É tão estupidamente simples que faz de muitos ministros dos transportes e presidentes de empresas uns sósias de Homer Simpson: Daah! »

O Estado perdeu os transportes, Pedro Santos Guerreiro no negócios online

Don't ask, don't tell

«O Bloco de Esquerda tomou conhecimento, através da comunicação social, da possível existência de um crédito concedido pelo BPN à Amorim Energia para a compra de uma participação na Galp. Segundo a notícia, o crédito, da ordem dos 1600 milhões de euros, teria sido concedido pelo BPN à Amorim Energia em 2006, antes do processo de nacionalização.

A mesma fonte avança que o empréstimo não chegou a ser pago pela holding ao BPN, mantendo-se assim a divida de 1600 milhões de euros durante todo o período em que o Banco esteve na posse do Estado.

...

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério das Finanças, as seguintes perguntas:

1. Confirma o Governo a existência de um crédito, por liquidar, da Amorim Energia ao BPN? Em caso afirmativo, qual o seu valor?

2. Caso exista, como explica o Governo a não execução do referido crédito para fazer face aos prejuízos associados ao BPN, durante os anos em que o banco esteve na posse do Estado?

3. Confirma o Governo que o referido activo se encontra num dos três veículos constituídos pela Caixa e transferidos para o Tesouro?

4. Perante o cenário de venda do BPN ao BIC, qual a situação do referido activo? Ficará em posse do Estado ou será incluído no pacote a privatizar?

5. Pode o Governo divulgar a lista de todos os créditos, incluídos nos veículos transferidos para o Tesouro, acima dos 250 milhões de euros?»

[Requerimento do BE de 08-08-2011 ainda não respondido]

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: Para tirar os trapinhos qualquer causa é boa

         Dignidade animal em Bogotá                               Moda em Valência                   Clube de Leitura Topless em Nova Iorque

12/09/2011

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Se o trabalho dá saúde, trabalhem os doentes

A propósito dos estrangeiros pensarem que portugueses não gostam de trabalhar, e dos empresários dos sapatos não serem génios da gestão, nem amigos dos Espíritos, nem terem MBAs e aumentarem os salários em 13%, confirma-se que o clima não é bom para trabalhar e não é só Soares dos Santos com dificuldades de encontrar pessoal para o Pingo Doce no Allgarve.

1.500 postos de trabalho à espera de gente para bulir na indústria do calçado, apesar de os empresários oferecerem prémios aos seus trabalhadores que conseguirem alguém com vontade de vergar a mola.

LASCIATE OGNI SPERANZA VOI CH'ENTRATE: O fim do estado social (4)

[Continuação de (1), (2) e (3)]

Nas contas de merceeiro feitas em tempos, estimou-se que o valor total das responsabilidades por pensões poderia rondar as 4-5 vezes o PIB de 2010. Enquanto isso, o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) representava pouco mais de 5% do PIB.

Em matéria de contas públicas, as coisas nunca estão tão más que não possam piorar ainda mais e a segurança social não é excepção. O valor do FEFSS deveria por lei representar 2 anos de pensões. Por força da redução das contribuições e das imparidades resultantes da política de investimento, o seu valor apenas é suficiente para cobrir 9 meses de pensões. E, uma vez mais, as coisas podem ainda piorar, porque os 50% do fundo aplicados em OT se fossem valorizados ao «justo valor», isto é às cotações de mercado, valeriam muito menos.

É esta a herança que as gerações da «sociedade a caminho do socialismo» deixarão às gerações que lhe sucedem.

Deviam respeitar um período de nojo (3)

Tal como Nicolau Santos, o pastorinho da economia dos amanhãs que cantavam e agora choram, lamenta no Expresso de sábado, também eu lamento ter o governo depenado «aos contribuintes e consumidores mais 1.500 milhões em 2011, além de tudo o que já estávamos a pagar.» A diferença é que não acho que tal «nos foi imposto pelos troikanos». Não. Tal foi-nos imposto por um governo liderado pelo anterior primeiro-ministro coadjuvado pelo seu ministro das Finanças, cujas botas o pastorinho poliu com zelo, em resultado das políticas adoptadas com a sua benção durante 6 longos anos. Acresce ser a «imposição troikana» um conjunto de medidas acordadas e subscritas por aquelas duas personagens.

Mais triste do que a falta de memória ou de vergonha, escolhei o que vos aprouver, é a falta de discernimento ao concluir as lamentações pela venda de participações do Estado, tornada necessária pelas políticas que abençoou, recorde-se, com um desabafo dilacerante: se a «economia portuguesa já ia em má direcção, agora vai ficar sem os comandos». A criatura não explica como tais comandos a actuarem pelo menos há 36 anos consecutivos não impediram a economia de ir em má direcção e nem uma ténue dúvida perpassa nos seus neurónios sobre se a má direcção não terá resultado precisamente de tais comandos terem estado na mão visível de quem estiveram.

11/09/2011

Soares, o arrependido

Depois de 37 anos de festim despesista e práticas falimentares do Estado perpetradas por políticos incompetentes, o Dr. Mário Soares, não tendo entendido o discurso do ministro das Finanças - não admira, porque ele nunca distinguiu os milhões dos biliões, arrumou o assunto rotulando depreciativamente o «contabilista» de «político ocasional». O desgosto pela contabilidade deve ser de família, porque também o seu filho João durante a campanha eleitoral, tentou diminuir Cavaco na SIC, clamando não se ter feito com contabilistas a gloriosa história portuguesa.

O pai Soares deve ter-se arrependido por ter metido no princípio dos anos 80 «o socialismo na gaveta», segundo as palavras que lhe atribuídas, e ter mobilizado o «político ocasional» Ernâni Lopes para lhe endireitar as contas, entortadas por 9 anos de desvarios. Tudo sob o olhar atento de Teresa Ter-Minassian do FMI, enquanto a esquerdalhada pintava nas paredes o seu nome ao lado do FMI, mandando ambos sair de Portugal.

Dez anos depois, um mundo menos perigoso

Por muito se questione, e por vezes com razão, a legitimidade e a prioridade estratégica da intervenção liderada pelos americanos no Iraque como resposta ao atentado de 11 de Setembro 2001, por muito se questione, em certos casos acertadamente, a condução político-militar dessa intervenção, é preciso reconhecer 10 anos depois que o mundo ficou melhor sem Saddam, o mundo árabe ganhou uma democracia frágil e problemática mas democracia, e a Qaida sofreu um pesada derrota e não produziu nenhum atentado dessa envergadura depois do de Atocha.

É igualmente preciso reconhecer que sem a reacção dos EU e as suas consequências geopolíticas dificilmente a influência totalitária e fundamentalista da Jihad daria lugar a um levantamento de inspiração secular e democrática da rua árabe a destronar os títeres em exercício.

É também preciso reconhecer, por muitas asneiras que Bush tenha cometido, e cometeu, nem o seu antecessor Clinton (que meteu o rabo entre as pernas com a morte de 18 americanos na Somália) nem o seu sucessor Obama teriam guts para reagir como George W. o fez. Obrigado George W.

Impertinente                Pertinente

10/09/2011

DIÁRIO DE BORDO: Parques nacionais americanos vistos do espaço (1)

Hawai'i Volcanoes National Park (Fonte: Wired)

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Alcança o máximo, só não sei de quê

Secção Com a verdade me enganas

Não fora o passado, presente e provável futuro da Ongoing recomendarem a maior desconfiança em relação ao discurso do seu presidente, as declarações de Nuno Vasconcelos à Lusa a respeito da RTP estariam surpreendentemente à altura de uma visão liberal.

Em primeiro lugar, depois de ter sido dado como interessadíssimo e com os contactos certos, o homem garante que não participará na privatização da RTP e está concentradíssimo, diria Futre, na salvação da Impresa (ó Dr. Balsemão, watch your back).

Em segundo lugar, diz que não concorda com a falta de espaço para um terceiro canal e considera: «o mercado é que deve decidir (...) o que não se pode é pedir ao Estado que continue a gastar 365 milhões de euros por ano com a RTP para favorecer dois privados». Sendo a Ongoing o 2.º accionista da Imprensa, um dos dois privados, esta declaração seria uma declaração de fé, não fossem as dúvidas.

Por último, faz outra declaração de fé no interesse público: «não sei qual vai ser o modelo de privatização da RTP, mas não tem que ser necessariamente um mau negócio (para o Estado)». Considerando as minhas fundadas dúvidas, atribuo-lhe o score máximo e hesito entre afonsos e ignóbeis.

09/09/2011

CASE STUDY: Concorrência imperfeita

Mais operadores não é condição suficiente para garantir mais concorrência e preços mais baixos, como se pode constatar neste exemplo das tarifas dos telefones fixos para empresas (preços corrigidos pelas paridades de poder de compra). No caso português, a «concorrência» do operador incubente (PT) com os outros (Vodafone, Optimus e Zon) coloca-nos no pódio dos preços mais caros.

Uma tarifa mexicana

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Será do clima?

We are all allgarbios
«Soares dos Santos disse que, na abertura de uma loja (do Pingo Doce) no Algarve tinha 29 postos de trabalho e apenas quatro foram ocupados. Da mesma forma, disse que, no Algarve, os funcionários falham ao trabalho vários dias por mês. Não ouço ninguém a dizer porque é que não se trabalha mais horas

Entretanto, muito oportunamente, a CGTP, a central sindical do partido Comunista, vai lutar pela «redução progressiva do horário de trabalho, para as 35 horas para incentivar a criação de emprego e combater o desemprego».

Vou esperar mais algum tempo antes de me declarar admirador de António Mexia (6)

[Continuação de (1), (2), (3), (4) e (5)]

E se de repente o trio FMI/FEEF/BCE obrigar a cortar uma parte substancial dos chamados «custos de manutenção do equilíbrio contratual» destinados a compensar a EDP pela liberalização do mercado?

Baptizados como «Recebimentos Futuros da Actividade Regulada», com um saldo no final do 1.º semestre de 1,4 mil milhões o valor actual destes «futuros» representa mais de 1/3 da facturação anual. Imagine-se o impacto de um corte significativo nas contas da EDP que já não têm grande aspecto com uma dívida que não pára de crescer e já representa mais de 4 vezes o EBITDA e quase 10% do PIB.


E se a EDP em vez de enfrentar a concorrência em menos de 1/5 facturação tivesse que a sofrer em 80% ou 90%? Continuaria o Dr. Mexia a mostrar um ar energizante nos banhos na Comporta?

O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Bring me sunshine

"Bring me sunshine" pelos Jive Aces

Na ressaca do século 21, uma ressurreição dos anos 50 pelos ouvidos dos anos 70 e as bocas e os instrumentos dos anos 90 (enviado por JARF).

08/09/2011

Estado empreendedor (53) – patrulhas, petroleiros e plataformas

Mais depressa aqui se escrevia sobre os negócios de José Sócrates com o chaço dos estaleiros de Viana, mais depressa novos delírios surgiriam. Desta vez para vender patrulhas à Marinha brasileira, ideia que ainda nasceu no falecido governo, sob a égide de Marcos Perestrello (com dois ‘l’), um discípulo do grande mestre José Sócrates, e está a renascer à volta de um «interesse» manifestado pelo presidente vitalício Lula da Silva. Se não forem navios patrulhas hão-de ser «navios petroleiros e plataformas». E assim, de navios patrulhas em navios patrulhas, de petroleiros em petroleiros e de plataformas em plataformas, se põem a jeito os estaleiros de Viana do Castelo para sofrerem o efeito Lockheed TriStar e torrarem muitas mais centenas de milhão para salvar algumas dezenas de milhão.

CASE STUDY: À primeira vista e à segunda vista

Já ouvi criticar a aplicação do Fundo de Compensação de Trabalho e da redução das indemnizações por despedimento de 30 para 20 dias por ano apenas aos novos contratos como mais uma manifestação dos famigerados direitos adquiridos (*). À primeira vista pareceria ser isso, se o propósito principal fosse facilitar os despedimentos.

À segunda vista, talvez não. Se o propósito principal for, como deve, aumentar o emprego total, reduzindo o risco do empresário e facilitando a criação de novos empregos estáveis, de nada serviria facilitar o despedimento de quem tem emprego. Fazê-lo seria trabalhar para as estatísticas, como o fizeram os governos de Sócrates, chegando à desvergonha de reinterpretar o seu programa transformando «recuperar postos de trabalho perdidos» em «postos de trabalho criados» e concluindo ter sido um sucesso criar uns milhares de postos de trabalho enquanto o desemprego aumentava em centenas de milhar.

(*) Assim definidos no Glossário: direitos que os seus detentores pretendem manter, essencialmente à custa dos que os não podem adquirir, por já terem sido adquiridos. Pertencem à categoria das chamadas conquistas de Abril e são as nossas vacas sagradas.

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: A ditadura do politicamente correcto já chegou a Moçambique

Porque será um «insulto» para o Forum Mulher de Moçambique este cartaz exaltando precisamente a mulher moçambicana e associando a sua imagem a uma (excelente) cerveja?


Pelo mesmo critério, julgaria o Forum ser este cartaz das cuecas «Chulo» um «insulto» ao homem moçambicano?

07/09/2011

Estado empreendedor (52) - sequelas do assalto ao Millenium bcp (II)

Este post é uma sequela deste outro.

Há pelo menos 2 anos era sabido já estar Joe Berardo encravado por ter participado no assalto ao BCP em má companhia. Desde então o seu encravanço só se agravou. Enquanto se mantiveram as suas dívidas à CGD (400 milhões), ao BES (200 milhões) e ao próprio BCP (400 milhões), a cujo Conselho de Remunerações e Previdência pertencia (não é extraordinário um banco emprestar dinheiro a um seu accionista e membro dos órgãos sociais para comprar as suas próprias acções?), a sua posição no BCP comprada por mil milhões vale hoje menos de cem milhões.

Lost in translation (121) – presidente da República critica (implicitamente) o silêncio da rainha Elisabete e do rei Dom Juan Carlos…

… sugerindo (implicitamente) o despedimento dos jogadores portugueses em Inglaterra e em Espanha.

De facto, durante um intervalo de confissões dos seus estados de alma no Twitter, na cerimónia da entrega das medalhinhas aos miúdos que conseguiram o segundo lugar no Mundial de sub-20, o presidente da República twittered gorjeou: «algo está errado no futebol português, quando mais de 50 por cento dos jogadores que actuam em Portugal são estrangeiros».

06/09/2011

CASE STUDY: A receita para sucesso

Qual o papel do Estado Assistencialista no sucesso da indústria portuguesa de calçado que até há poucos anos estava pelas ruas da amargura e actualmente representa 2% das exportações mundiais, tem o 3.º preço médio mais alto do mundo (7 vezes o da China), aumentou 13% os salários e tudo isto sem contar com o génio do Dr. António Mexia ou do Dr. Zeinal Bava, nem ter afilhados dos banqueiros do regime, nem enpresários mediáticos (os que o foram já faliram), mesmo empresários com MBAs?

Praticamente nenhum. E daí o sucesso.

05/09/2011

Estado empreendedor (51) – sequelas dos negócios de José Sócrates

Preparando a recepção do Atlântida
nas margens do rio Guaire 
Lembram-se de José Sócrates ter impingido aos portugueses a suposta realização de um magnífico negócio com o coronel Chávez impingindo-lhe um chaço flutuante por quase 50 milhões? O chaço, construído nos estaleiros de Viana, destinava-se originalmente a ferry para servir os Açores, fora recusado pelo vice-rei dessas ilhas (borrifando-se assim para a reciprocidade assistencialista que os incautos dele pudessem esperar) e encontrava-se então parqueado nos estaleiros.

Como todos os outros negócios envolvendo José Sócrates, este também meteu água. Se imaginais o Atlântida, assim foi baptizado o chaço, rumando a Caracas para ligar as duas margens do rio Guaire, pensai duas vezes. Ficou-se pelo Alfeite onde aguarda comprador que, espera-se, pague por ele metade do combinado entre o engenheiro e o coronel.

04/09/2011

Deviam respeitar um período de nojo (2)

"Estas medidas põem o país a pão e água. Não se põe um país a pão e água por precaução."

"Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa."

"Aceitarei reduções nas deduções no dia em que o Governo anunciar que vai reduzir a carga fiscal às famílias."

"Sabemos hoje que o Governo fez de conta. Disse que ia cortar e não cortou."

"Nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas."

"O pior que pode acontecer a Portugal neste momento é que todas as situações financeiras não venham para cima da mesa."

"Aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos."

"Vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos."

"Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos."

"Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado."

"Já estamos fartos de um Governo que nunca sabe o que diz e nunca sabe o que assina em nome de Portugal."

"O Governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU com que se comprometeu no memorando."

"Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa."

"Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas."

"Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português."

"A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento."

"A pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos."

"Não aceitaremos chantagens de estabilidade, não aceitamos o clima emocional de que quem não está caladinho não é patriota"

"O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento."

"Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate."

"Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?"


Se tivesse pachorra, seria bem capaz de ir à conta de Twitter de Passos Coelho e coleccionar todas as suas promessas e garantias acima recordadas pela jornalista de causas Fernanda Câncio no DN, escritas entre Março de 2010 e Junho de 2011 com grande imprevisão e uma a uma desmentidas com um à-vontade próximo da falta de decoro.

Com a diferença de eu ter durante os últimos 6 anos feito o possível por demonstrar a total falta de credibilidade de José Sócrates. Ao mesmo tempo, Fernanda Câncio convivia alegremente e sem angústias com o político mais mentiroso desde pelo menos a implantação da república, enquanto lhe extraia o apoio às suas causas fracturantes, como o aborto como método anti-concepcional e o casamento entre homossexuais, entre outras.

Não tem moral. O decoro tê-la-ia obrigado a um período de nojo tão prolongado quando a duração dos governos por si apoiados pela palavra e pelo silêncio.

03/09/2011

NÓS VISTOS POR ELES: «não gostamos de trabalho»

… são justamente os ricos que têm dinheiro para criar emprego. Estou farto desta demagogia, os ricos não são o problema, os pobres é que são o problema! É com os pobres e com a pobreza que temos de acabar, não é com os ricos!

Nós, por questões religiosas, não gostamos de trabalho. O trabalho foi o castigo por Adão e Eva terem cometido o pecado original. Hoje, o discurso extremou-se e o castigo tem que ser redimido com direitos e regalias sociais. Mas existe numa grande parte da nossa sociedade a ideia de que trabalhar, o menos possível! Safar-me ao trabalho, sempre que possa. O trabalho liberta-nos da pobreza!

Ganhamos pouco como povo. E temos que ganhar mais. Temos que abandonar o discurso de salários baixos, estamos todos fartos de salários baixos em Portugal. Mas temos que produzir mais.
Mudando o discurso dos empresários e dizendo que a forma e o raciocínio dos sindicatos é totalmente anacrónica. Temos que valorizar o trabalho, não o ócio.
O empresário está extraordinariamente ligado ao lucro. E o lucro, em Portugal, é muito mal visto. Para mim, o lucro é a medida da saúde do negócio.

Portugal convive mal com questões de riqueza. Quando as nossas publicações falam sobre as pessoas mais ricas do país é para mostrar que os índices de desigualdade são cada vez maiores. O que é verdade, e é um problema que temos que atacar. Mas não é pelos ricos serem mais ricos, é por os pobres não enriquecerem.

Temos uma economia baseada sobre o conhecimento. Pertencemos a um país moderno e sofisticado. Portugal é um país da linha da frente. É! Não somos um país do terceiro mundo. Se olharmos para os rankings mundiais, estamos no fim do primeiro terço, mas estamos no primeiro terço.

E nós temos torpedeado o ensino em Portugal nos últimos 20 anos. O nosso sistema de ensino, ensino público, é o meio mais importante para enriquecer o país. E nós temos dito ao povo e aos seus filhos: não se preocupem com os exames, nós passamos por si. O resultado está à vista.
Temos um país mais ignorante do que há 20 ou 30 anos e o potencial de enriquecimento foi enfraquecido. Eu vejo isto: há 20 anos eu recrutava uma secretária com o 12.º ano, neste momento tenho que a recrutar com uma licenciatura, porque quem me aparece com o 12.º ano, infelizmente, já não está ao nível das necessidades. E isto acontece com várias pessoas que conheço.
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O empresário português é um privilegiado, porque a sociedade exige-lhe muito pouco. Exige-lhe só, e cada vez mais, que pague os seus impostos, mas não lhe exige que gere riqueza. Portanto, está sobretudo preocupado com um retorno muito rápido do seu capital.

Excertos da entrevista do ionline a Peter Villax, vice-presidente da Hovione

02/09/2011

Deviam respeitar um período de nojo

Eu também duvido que vão existir «as tão anunciadas medidas de corte nas gorduras do Estado e nos famosos consumos intermédios que ouvimos ao longo de meses». Contudo, um módico de vergonha deveria levar o deputado Eduardo Cabrita ou qualquer outro sujeito falando em nome do PS a não se pronunciar sobre estas matérias pelo menos durante o ano subsequente ao termo duma experiência governativa que conduziu ao maior desemprego dos últimos 90 anos, à maior dívida pública dos últimos 160 anos, ao mais baixo crescimento económico dos últimos 90 anos, à maior dívida externa dos últimos 120 anos, à mais baixa taxa de poupança dos últimos 50 anos e à segunda maior taxa de emigração dos últimos 160 anos.

01/09/2011

ESTADO DE SÍTIO: Um estado capturado (2)

Continuando a tratar de capturas e, em particular, da chantagem velha de décadas do Bokassa das Ilhas, é indispensável constatar ter o desaforo da criatura dobrado o Cabo Bojador da extorsão, produzindo mais um «deslize» de quase 300 milhões, a adicionar aos deslizes já identificados de mais de 200 milhões. O deslize total fica até ver em 500 milhões. Por incrível que pareça, este deslize passou ao lado da legião de controladores orçamentais nativos e foi identificado pela CE a 4 mil km de distância, em Bruxelas.

Para uma população residente de 250 mil súbditos, o reino de Bokassa equivale a 2/3 do concelho de Sintra e atinge um deslize per capita recorde de 2 mil euros. Se os cubanos do contenente tivessem um índice semelhante o deslize da nação ultrapassaria 10% do PIB. É obra.

A reacção do governo Passos Coelho a mais esta extorsão em preparação vai ser uma pedra de toque da sua governação. Aguardo ansiosamente.