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11/08/2013

ARTIGO DEFUNTO: Um jornalista bom no género mau (2)

Uma percentagem apreciável do espaço e do zelo dos últimos números do Acção Socialista, perdão do semanário Expresso, tem sido dedicada a esgravatar a «mentira» da ministra das Finanças e as supostas acções de venda dos swaps pelo ex-secretário de estado que veio do Citi. Esta semana não é excepção. Estranhamente, em nenhum sítio se encontra qualquer referência ao desvelo com que várias instâncias do governo PS foram concedendo a esses swaps, desde os assessores económicos de Sócrates (pelo menos um deles é também assessor de Seguro), até ao ministro Teixeira dos Santos, passando pelo chefe de gabinete Luís Patrão até ao impoluto secretário de estado Costa Pina, o mesmo que fez o célebre despacho de Janeiro de 2009 sobre o qual se mantém o mais púdico silêncio.

Em nenhum sítio? Corrijo: há uma subtil referência no editorial de Ricardo Costa, director do Expresso e, insisto, em minha opinião, um dos melhores jornalistas de causas por aviar as suas causas com inteligência e subtileza suficientes para parecer que está a fazer um jornalismo profissional e independente.

Ricardo Costa que nunca lamentou o ataque desbragado a Maria Luís Albuquerque, por coincidência ministra das Finanças de um país intervencionado, a pretexto de uma falta despicienda no contexto do que tem sido a política portuguesa, lamenta que surja agora «o contra-ataque do governo, divulgando documentos em que dois assessores de Sócrates defendiam a utilização de tais contrato, embora o governo socialista nunca os tenha utilizado», esquecendo muito convenientemente de mencionar Teixeira dos Santos, Luís Patrão e Costa Pina, e de referir que se o governo de Sócrates nunca utilizou estes swaps isso deve-se ao presidente do IGCP, um tal Franquelim Alves que o Expresso zurziu pela sua ligação fugaz à SLN. Também esqueceu de referir que não tendo contratado esses swaps o governo de Sócrates autorizou e recomendou (ver o célebre despacho) que as empresas públicas contratassem mais de uma centena de outros, incluindo dezenas de contratos especulativos que se revelaram ruinosos, para obter financiamento pela porta do cavalo.

Tendo esquecido tudo, Ricardo Costa conclui, com bastante hipocrisia, «que o país tem assuntos bem mais importantes para tratar do que saber quem era mais ou menos amigo dos swaps». Pois tem e até já tinha, enquanto o Expresso esgravatava o caso dos swaps até sair da tumba uma legião de esqueletos socialistas.

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