Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

14/06/2016

Dúvidas (161) - Terá o fascismo raízes no marxismo? (II)

Quando aqui comentei o surto de indignação dos marxistas de serviço pela tese de José Rodrigues dos Santos não fui ao fundo da questão e referi apenas a adjacência das raízes do fascismo e do marxismo por falta de ciência, vocação e tempo.

Ao ler no artigo no Observador «Ainda sobre a convergência entre comunismo e fascismo» de João Carlos Espada uma formulação que gostaria de ter escrito sobre as raízes comuns não resisto a citá-la para completar o meu post anterior, não sem antes citar duas «breves passagens de Marx/Engels e Mussolini (que) recordam um dos pontos cruciais que uniu os totalitarismos do século XX: o culto do Estado, do poder ilimitado do Estado.» Sublinho, o culto do Estado, que é o menor múltiplo comum das doutrinas totalitárias de direita e de esquerda e em particular do fascismo e do marxismo.

Manifesto Comunista de 1848 de Marx e Engels
«A abolição [da sociedade burguesa] é chamada pelo burguês como abolição da individualidade e da liberdade. Com toda a razão. O que temos em vista é a abolição da individualidade burguesa, da independência burguesa e da liberdade burguesa. Nas presentes condições de produção burguesas, liberdade significa comércio livre, liberdade de vender e de comprar. […] O proletariado usará a sua supremacia política para retirar gradualmente todo o capital à burguesia, para centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado, isto é, do proletariado organizado em classe dominante.»

Artigo de 1932 na Enciclopédia Italiana de Mussolini, sobre “A doutrina do fascismo”
«A concepção fascista é a favor do Estado; e é a favor do indivíduo na medida em que este coincide com o Estado, que é a consciência e vontade universal do homem na sua existência histórica. […] O fascismo é a favor da liberdade, da única liberdade que pode ser real, a liberdade do Estado e do indivíduo no seio do Estado. […] Por isso, para o fascista, tudo está no Estado e nada de humano ou espiritual existe, muito menos tem valor, fora do Estado. Neste sentido, o Fascismo é totalitário e o Estado Fascista — a síntese e unidade de todos os valores — interpreta, desenvolve e dá força à totalidade da vida do povo.»

E agora as palavras de JCE:
«O que chocou Churchill foi precisamente a ambição revolucionária — tanto do nacional-socialismo e do fascismo, como do comunismo — de reorganizarem a vida social a partir do Estado, impondo aos modos de vida existentes um plano dedutivo, baseado numa ideologia total, um esquema de perfeição. No cabo Hitler, no ex-socialista Mussolini, e nos ideólogos comunistas Lenine e Estaline, o aristocrata Winston Churchill viu o fanatismo grosseiro daqueles que queriam destruir todas as barreiras ao exercício da vontade arbitrária: barreiras do Governo Constitucional, da religião judaico-cristã, do cavalheirismo, das liberdades cívicas, políticas e económicas, da propriedade privada, da família, e de outras instituições civis descentralizadas.»

Sem comentários: