Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

20/06/2016

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (41) O clube dos incréus reforçou-se (VIII)

Outras marteladas.

Lembram-se como aparentemente tudo começou na crise de subprime nos Estados Unidos que foi o início de uma crise muito mais vasta que atingiu a maioria dos países? Escrevi aparentemente porque a crise do subprime foi ela própria o resultado de uma bolha de crédito criada pelas taxas de juro artificialmente baixas e por oceanos de liquidez na economia americana provenientes da poupança chinesa. Pois bem, há vários sinais que as politicas da Fed de juros baixos e quantitative easing estão a forjar a nova crise imobiliária. Começam a ser visíveis os sinais. Leia-se este artigo do MarketWatch com um título assaz significativo: «The seeds of the next housing crisis have already been planted».

Em relação às taxas nulas ou negativas de alguns bancos centrais (Fed, BoE, ECB, BoJ), escreve Satyajit Das que é uma «travessia do Rubicão, .. uma experiência de alto risco ... A intenção é clara: reduzir a dívida pelo confisco e transferência da riqueza dos aforradores para os devedores. Isto é, em última análise uma admissão do falhanço dos meios tradicionais de manter sob controle a dívida excessiva».

Bill Gross, o lendário gestor de fundos de obrigações no Janus Capital Group, não é menos crítico e comparou recentemente num investment outlook as taxas de juros negativas dos bancos centrais ao paradoxo de Zenão.

Howard Davies, economista especialista na regulação financeira e actual presidente do Royal Bank of Scotland questiona-se sobre se os bancos centrais não foram demasiado longe e não terão demasiado poder.

Parece bem que se questionem e coloquem em dúvida a panaceia das taxas de juro negativas e do alívio quantitativo, mas suspeito que pode ser demasiado tarde.

Sem comentários: